UNESCO defende educação sexual e de gênero nas escolas para prevenir violência contra mulheres

Mariana Ohde


A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil reafirmou nesta terça-feira (7) seu posicionando contrário à discriminação e à violação dos diretos humanos em qualquer circunstância e, em especial, em espaços educativos. “As desigualdades de gênero, muitas vezes evidenciadas pela violência sexual de meninas, expõem a necessidade de salvaguardar marcos legais e políticos nacionais, assim como tratados internacionais, no que se refere à educação em sexualidade e de gênero no sistema de ensino do país”, disse a agência das Nações Unidas em comunicado.

Segundo a organização, as declarações foram divulgadas diante de “recentes fatos ocorridos no país no que se refere à violência sexual”, em referência a casos como o da jovem de 16 anos estuprada no Rio de Janeiro em maio.

Para a UNESCO no Brasil, aprofundar o debate sobre sexualidade e gênero contribui para uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade. A instituição também afirma que a legislação brasileira e os planos de educação precisam incorporar perspectivas de educação em sexualidade e gênero. “Isso se torna ainda mais importante uma vez que a educação é compreendida como processo de formar cidadãos que respeitem as várias dimensões humanas e sociais sem preconceitos e discriminações”, disse a agência da ONU.

Novo vídeo confirma estupro coletivo no Rio
Paraná registra mais de 10 mil casos de estupro por ano
Professor dá aula vestido de drag queen no Paraná para combater homofobia

Um dos compromissos dos países-membros das Nações Unidas é garantir o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, adotada pelo Brasil e todos os outros Estados-membros da ONU em 2015. Entre os 17 objetivos globais da agenda, está a garantia de ambientes de aprendizagem seguros e não violentos, inclusivos e eficazes, e a promoção da educação para a igualdade de gênero e os direitos humanos.

Resultado de debate internacional, o Marco de Ação Educação 2030 aborda a importância da perspectiva de gênero na educação. “Esta agenda dedica especial atenção à discriminação baseada em gênero, bem como a grupos vulneráveis, e para assegurar que ninguém seja deixado para trás. Nenhum objetivo de educação deve ser considerado cumprido a menos que seja alcançado por todos”, afirmou trecho do documento da reunião, realizada em novembro do ano passado, paralelamente à 38ª Conferência Geral da UNESCO, com a presença de ministros e especialistas.

A UNESCO ressaltou em todos os seus documentos oficiais que estratégias de educação em sexualidade e o ensino de gênero nas escolas é fundamental para que homens e mulheres, meninos e meninas tenham os mesmos direitos, para prevenir e erradicar toda e qualquer forma de violência, em especial a violência de gênero.

“A eliminação das desigualdades de gênero é determinante para a construção de uma sociedade inclusiva e equitativa”, disse a UNESCO. “Todos os estudantes têm o direito de viver e aprender em um ambiente livre de discriminação e violência. Com educação e diálogo é possível prevenir a violência de gênero”, finaliza a instituição.

A agência da ONU possui materiais que podem ajudar os educadores do país a incluírem questões de gêneros nos debates de suas aulas e espaços educativos.

Previous ArticleNext Article
Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal