Websérie mostra expedição de drones a serviço da conservação no Brasil

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

No fim do mês passado, o WWF-Brasil, o Instituto Mamirauá e a Conservation Drones lançaram a websérie Expedição Ecodrones – Botos da Amazônia. O projeto, com cinco episódios de curta duração, mostrou a jornada de pesquisadores testando a contagem de botos com o uso de drones.

Foi a primeira experiência no país com o equipamento para monitorar uma espécie. Sem censo, o boto-cor-de-rosa tem a classificação de ‘dados insuficientes’ pela União Internacional para Conservação da Natureza, ou seja, não se sabe o número total da população, sua tendência e o impacto das ameaças.

Realizada no último mês de novembro, a expedição percorreu 400 km pelo Rio Juruá, no Amazonas. Em oito dias, 791 botos foram vistos. “Fomos com uma estrutura paralela tradicional para conferir os números e ver as diferenças entre os métodos”, disse Marcelo Oliveira, especialista de conservação do programa Amazônia do WWF-Brasil.

Os drones faziam quatro voos de 10 minutos por hora entre as 6h e 18h, totalizando 48 voos e oito horas de vídeos diários. Na contagem usual, alguns observadores ficam na popa e outros na proa do barco pelo mesmo tempo – apenas com o olho humano.

“O equipamento com 100m de alcance não deu o melhor resultado e tivemos que ir aferindo a melhor distância por questões de interferência de luminosidade e ondulações do rio”, explicou o biólogo, que se mostrou animado para uma próxima expedição com novos equipamentos e estrutura enxuta. “Pensamos numa câmera com alcance maior [200m], de voo autônomo de 40 minutos para pousar em uma voadeira mesmo com placas solares para o carregamento. Estamos entusiasmados com o potencial que o método tem”.

Segundo Oliveira, uma parceria com o Conservation Drones e a Universidade de Amsterdã (HOL) está trabalhando em um algoritmo para facilitar a identifica- ção dos objetos na filmagem com uma biblioteca bastante extensa do animal, para detectar a espécie de forma automática e sem confundi-la.

Com o modelo de utiliza- ção do drone aprimorado, a logística para fazer um levantamento da densidade populacional do boto na Amazônia seria drasticamente facilitada. “É um método para baixar o custo do monitoramento, que é muito caro, precisa de um barco grande [dois andares] para 10,12 pessoas e muito combustível”, contou Oliveira.

No início deste mês, o bió- logo esteve na Bolívia apresentando o projeto para as sedes da ONG de todos os países amazônicos para a construção de uma estraté- gia única de conservação na Amazônia contra a pesca da piracatinga (que usa o boto como isca) e o impactos das hidrelétricas na região.

Para assistir a websérie acesse www.wwf.org.br/expedicaoecodrones.

Projetos já agendados

Para este ano, o projeto Ecodrones Brasil tem novas missões em vista, tanto para a conservação da flora quanto da fauna. “Testamos a identificação de ninhos de quelô- nios (tartarugas, cágados e jabutis) na região do Rio Solimões e funcionou bem, vamos fazer um mapeamento de alta resolução”, declarou Oliveira, que acredita no potencial de outras regiões, como o Pantanal.

No meio do ano a Universidade da Fló- rida (EUA) deve trazer um drone híbrido de alta tecnologia (meio helicóptero, meio avião) para dois projetos: monitorar florestas no Acre e recursos hídricos em Goiás. “O equipamento já é um divisor de águas no país”, finalizou.

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