Meirelles repete Temer e atribui alta do desemprego à melhora na economia

O ex-ministro da Fazenda do governo de Michel Temer (MDB) esteve em Curitiba nesta quinta-feira (10) para realizar uma p..

Mariana Ohde - 10 de maio de 2018, 11:44

Foto: José Cruz / Agência Brasil
Foto: José Cruz / Agência Brasil

O ex-ministro da Fazenda do governo de Michel Temer (MDB) esteve em Curitiba nesta quinta-feira (10) para realizar uma palestra para diretores e líderes das principais empresas paranaenses.

No evento, o ex-ministro afirmou que a alta no desemprego não indica, necessariamente, uma piora da economia brasileira. "Quando a economia está crescendo, um grande número de pessoas que não estavam procurando emprego começam a procurar. O que é bom. Só que aí aumenta o número de desempregados", disse.

"Quando as pessoas não estão procurando emprego, elas não entram na estatística de desempregados e, com a melhora da economia, elas resolvem procurar e entram nesse indicie. Então, mesmo com 2,5 milhões de empregos criados em 2018, parece que os postos não cresceram muito", disse.

Dados do último levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de desemprego ficou em 13,1% no primeiro trimestre de 2018 - uma alta de 11,8% em relação ao trimestre anterior. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o índice representa uma queda de  13,7%. O número de desempregados no Brasil nos três primeiros meses de 2018 foi de 13,7 milhões.

Segundo o ex-ministro, no último ano, foram criadas cerca de 2 milhões de vagas, "mas quase 2 milhões de pessoas entraram no mercado de trabalho, porque não estavam procurando, passaram a procurar". A expectativa é criar mais 2 milhões de emprego em 2018, segundo Meirelles.

Meirelles também explicou que o nível de confiança na economia é medido pelo nível de investimentos dos empresários e das famílias, que compram bens de consumos duráveis (eletrodomésticos, móveis) acreditando que terão condições de pagamento das parcelas. Ainda segundo Meirelles, os benefícios sociais podem contribuir para uma melhora neste cenário, mas não devem ser uma ação isolada.

"O bolsa família é fundamental, mas esse governo defende que as crianças e filhos dessas famílias do Bolsa Família estudem, entrem no mercado de trabalho. O melhor benefício social é o emprego, maior renda, sustenta a família e contribui para o crescimento do país", disse.

O ex-ministro também apontou o resultado da inflação como indicador positivo para a economia. "Tudo começa com a economia. Tem uma analogia que diz que a economia é como o coração: tem muitas coisas a se fazer. mas o bom funcionamento do coração é fundamental. O primeiro efeito do crescimento da economia é o aumento do emprego e diminuição da inflação".

"Essa foi a menor inflação em 20 anos. Desde 1998". Sem considerar os preços do gás e gasolina, conforme o ex-ministro, este índice seria de menos de 2%. "A inflação foi controlada no Brasil, tudo isso é resultado das reformas", completou.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, ficou em 2,76% no acumulado de 12 meses. Os dados foram divulgados hoje, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O IPCA é de 0,22% em abril, ante 0,09% em março. No acumulado no ano, o índice é 0,92%.