Peixes terão produção em sistema de bioflocos na região oeste do Paraná

Johan Gaissler

Embrapa Meio Ambiente e Itaipu Binacional assinam acordo para a produção de peixes em bioflocos

Um acordo assinado entre a Itaipu Binacional e a Embrapa Meio Ambiente vai garantir a produção de peixes em bioflocos em regiões próximas à Bacia do Rio Paraná, no oeste do estado. Neste sistema, serão concentradas espécies juvenis de tilápia e pacu.

O QUE É A PRODUÇÃO EM BIOFLOCOS?

Com o objetivo de economizar água, o sistema de produção em bioflocos teve pesquisas iniciais em Israel. A água fica em um sistema fechado e, diferente do sistema convencional, não há a retirada dela junto com as substâncias tóxicas que são produzidas. Há, apenas, uma pequena renovação do líquido para compensar alguma evaporação ou uma quantidade que possa ser perdida durante o procedimento.

Os microrganismos presentes nesse ecossistema montado têm um estímulo de crescimento através de substâncias colocadas no local, formando bioflocos. O superintendente de gestão ambiental da Itaipu Binacional, Ariel Scheffer da Silva, faz uma analogia com os bioflocos funcionando como “pequenos planetas”.

“É um sistema biológico, baseado na grande quantidade desses flocos. A água fica meio turva, escura, amarronzada, por causa desses ‘microplanetas’, e ali tem toda uma ciclagem de nutrientes. Então esses materiais que seriam tóxicos na água são transformados em outras substâncias e podem se tornar até alimentos”, explica o superintendente.

Embrapa Meio Ambiente e Itaipu Binacional assinam acordo para a produção de peixes em bioflocos
Sistema de produção em bioflocos ajuda na economia d’água. (Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional)

A Embrapa trabalha com o tema de produção em bioflocos desde 2013, através de linhas de pesquisas. De acordo com o pesquisador Hamilton Hisano, a prática é considerada nova. “É uma tecnologia bem interessante, porque alia alta produção e produtividade com baixo custo de água”, conta o profissional da Embrapa Meio Ambiente.

De acordo com o técnico, as duas instituições, Itaipu e Embrapa, trabalham em sinergia para cumprir a Agenda de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU). Esse novo sistema de produção de peixes tem uma sustentabilidade maior do que a piscicultura em cativeiro convencional. Hamilton também destaca a biossegurança e os benefícios socioeconômicos da produção dos peixes nessa região do Paraná.

PROJETO ACONTECE DE MODO ESTRATÉGICO NO OESTE DO PARANÁ

Pensado para a região oeste do Paraná, o projeto ocorre na região de atuação da Usina Hidrelétrica de Itaipu. Segundo Ariel Scheffer da Silva, é o local onde há a maior produção no estado, que já é o maior na piscicultura em cativeiro no Brasil.

“Esse conjunto de investimento traz soluções para a região e para a segurança hídrica, que também gera segurança energética”, conta o superintendente de gestão ambiental, que também destaca que a água nas bacias hidrográficas precisa ter quantidade e qualidade.

Sobre a segurança hídrica, que tem relação com a qualidade da água, o técnico da Itaipu Binacional, André Watanabe, lembra que a água que é utilizada na região da Bacia do Rio Paraná é a mesma água que vai para o reservatório da hidrelétrica.

“Nós temos o compromisso de apoiar o desenvolvimento territorial. Aqui na região oeste, nós temos várias cadeias animais que são muito importantes como geração de renda e de empregos nas regiões onde têm suínos e aves. Estrategicamente, é muito interessante participar desse desenvolvimento da cadeia produtiva do pescado, de modo a agregar em sustentabilidade ambiental a essa atividade”, afirma André.

A Itaipu e a Embrapa tiveram um primeiro contato para a realização da parceria em um congresso onde foi observado que as duas empresas já estavam trabalhando com esse tema. O acordo para a produção de sistemas de peixes em bioflocos tem a duração de quatro anos. Antes, já havia um acordo técnico elaborado em 2019.

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