10 fatos que talvez você não saiba sobre o “Lula Day”

Fernando Garcel


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Curitiba na quarta-feira (10) para o primeiro encontro com o juiz federal Sérgio Moro, responsável por julgar os processos da Operação Lava Jato na primeira instância.

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Com a polarização político-ideológica, movimentos populares têm se manifestado e devem marcar presença na capital paranaense. Motivo que levou Moro a acatar o pedido da Polícia Militar e da Polícia Federal para adiar o depoimento em uma semana.

Nesta segunda-feira (8), a defesa de Lula ingressaram com um Habeas Corpus no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, pedindo a suspensão do processo no qual Lula é acusado de receber propina por meio do triplex no Guarujá. Eles alegam que não há tempo hábil para análise de toda a documentação do processo até quarta-feira (10).


Depoimento

O ex-presidente Lula foi indiciado por corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. No inquérito, Lula é apontado como recebedor de vantagens pagas pela empreiteira OAS no triplex do Guarujá. Os laudos apontam melhorias no imóvel avaliadas em mais de R$ 777 mil, além de móveis estimados em R$ 320 mil e eletrodomésticos em R$ 19,2 mil. A PF estima que as melhorias tenham custado mais de R$ 1,1 milhão no imóvel do Guarujá.

No depoimento, Lula deve se defender das acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) que aponta atos de corrupção passiva, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro ao ex-presidente.


Segurança

O esquema de segurança montado para a audiência é semelhantes ao que foi montado durante as partidas da Copa do Mundo disputadas na capital paranaense. Os grupos favoráveis e contrários ao ex-presidente vão ficar separados, em pontos diferentes da cidade. O de apoio a Lula devem se concentrar na Boca Maldita. O contrário vai ficar no Centro Cívico.


Isolamento

No dia do evento haverá dois perímetros controlados pela Polícia Militar: no primeiro, mais próximo à Justiça Federal, acessarão os moradores com seus veículos desde que todos cadastrados previamente e que não os deixem na rua; já o segundo perímetro, poderá ser acessado por moradores (com seus veículos desde que possuam garagem e não os deixem na rua) e outras pessoas a pé e veículos autorizados/credenciados.

“A PM já está fazendo o cadastramento dos moradores, que costumeiramente já faz isso em grandes eventos. A partir do momento que for dar início à oitiva nós vamos ter o monitoramento redobrado”, afirmou o secretário.

Mais de seis mil pessoas, entre moradores, comerciantes e trabalhadores, já foram cadastrados pela PM para poder circular no entorno do prédio da Justiça Federal.

OPERACAO


Caravanas

Sobre a participação de pessoas de outros estados, em caravanas, por exemplo, o secretário da Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, disse apenas que viagens interestaduais têm que seguir os trâmites da ANTT e que a polícia vai manter a prerrogativa de fazer fiscalizações em relação a, por exemplo, documentação de passageiros e dos próprios veículos.

A previsão da Secretaria de Segurança Pública (SESP) é que 300 ônibus com cerca de 12 mil manifestantes cheguem à capital paranaense até a próxima quarta-feira. As ruas próximas à sede da Justiça Federal serão fechadas num raio de 150 metros e terão acesso restrito. Apenas a moradores e profissionais de imprensa credenciados poderão circular dentro do perímetro.

Proibição de acampamentos não impede manifestações em Curitiba

A Executiva do Partido dos Trabalhadores (PT) pretende reunir pelo menos 30 mil pessoas para acompanhar o depoimento do lado de fora da Justiça Federal.


Proibição de acampamentos

A prefeitura de Curitiba moveu um interdito proibitório contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e demais movimentos proíbe a montagem de acampamentos em praças e ruas de Curitiba entre 23h de segunda-feira (8) e às 23h de quarta-feira (10). A Justiça acatou o pedido e determinou multa diária de R$ 50 mil para quem montar estruturas e acampamentos nas ruas e praças da cidade.

Proibição de acampamentos não impede manifestações em Curitiba

A Defensoria Pública do Paraná impetrou um habeas corpus coletivo preventivo, no Tribunal de Justiça do Paraná, contra a decisão da juíza Diele Denardin Zydek. De acordo com a defensora pública Camille Vieira da Costa, coordenadora do Núcleo da Cidadania e Direitos Humanos, a decisão de primeira instância fere o direito à livre circulação e de manifestação.

> Defensoria Pública recorre da proibição de acampamentos em Curitiba

“A nossa perspectiva é a de garantir o direito de ir e vir de todas as pessoas, independentemente do posicionamento político”, observa Camille.


Manifestações pró-Lula

O movimento Frente Brasil Popular, grupo solidário ao ex-presidente da República, organizou atos para dois dias em Curitiba. Na terça, a programação começa às 7 horas, com o Ato pela Reforma Agrária, no monumento Antonio Tavares, na divisa entre Curitiba e Campo Largo; conta com plenárias na Praça Santos Andrade durante a tarde; e termina às 21 horas com uma vigília pela “Democracia e os Direitos dos Trabalhadores” na Catedral. No dia seguinte, data do depoimento, as manifestações começam às 9 horas com a Assembleia Nacional dos Movimentos e Populares e termina às 18 horas com um ato na Boca Maldita, no Centro da capital.


Manifestações contra Lula

Os movimentos contrários ao ex-presidente devem ficar concentrados no Centro Cívico. Pela cidade estão espalhados cartazes, faixas e outdoors com uma caricatura do ex-presidente atrás das grades. A iniciativa foi financiada por diversos movimentos sociais.

Segundo o Secretário de Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita, a manifestação será livre, mas qualquer ato de violência será reprimido: “Eles vão ter liberdade para fazer manifestações e comícios, fazer os movimentos próprios. A ideia é que não haja contato entre eles”, afirmou.

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Moro dispensa apoio

O juiz federal Sergio Moro postou na página mantida por sua esposa, Rosângela Wolf Moro, nas redes sociais um vídeo pedindo para que as pessoas que apoiam a Operação Lava Jato não compareçam na Justiça Federal no dia do interrogatório do ex-presidente Lula.

“Não venham, não precisa”, diz Moro a apoiadores da Lava Jato

“Eu tenho ouvido que muita gente que apoia a Operação Lava Jato pretende vir a Curitiba manifestar esse apoio, ou pessoas mesmo de Curitiba pretendem vir aqui manifestar esse apoio. Eu diria o seguinte: esse apoio sempre foi importante, mas nessa data ele não é necessário. Tudo que se quer evitar nessa data é alguma espécie de confusão e conflito e, acima de tudo, não quero que ninguém se machuque”, declarou.

Indo na contramão do que o juiz solicitou, grupos como o Curitiba contra a Corrupção, o Vem pra Rua, o recém criado Lava Togas, o Movimento Brasil Livre (MBL), a Frente Brasil Popular, confirmaram presença. Do outro lado, sindicalistas e membros do Movimento Sem Terra (MST) também devem estar presentes em Curitiba na quarta-feira.


Defesa quer gravar depoimento; Moro nega

A defesa de Lula protocolou um pedido para registrar a audiência. A defesa argumenta que “a gravação da audiência é uma prerrogativa do advogado e está prevista no CPC [Código de Processo Civil]”. Moro, no entanto, negou o pedido dos advogados.

Apesar da negativa, o magistrado apontou que será feita uma “gravação adicional”, com outro ângulo. Na decisão, divulgada nesta segunda-feira (8), Moro também barrou o uso de aparelhos celulares na audiência.


Palanque na Boca Maldita

O movimento Frente Brasil Popular organizou uma agenda com atividades antes, durante e após a audiência de Lula. O ex-presidente deve comparecer ao ato que encerra as movimentações na capital. Um encontro entre os apoiadores de Lula e outras autoridades ligadas ao petista está marcado para o fim da tarde de quarta-feira na Boca Maldita, no Centro de Curitiba. O local é conhecido por ambiente de debates políticos desde o movimento de “Diretas Já”.

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