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Após se tornar réu, Aécio diz que decisão do STF já era esperada

Por Bernardo Caram e Gustavo UribeRéu pelas acusações de corrupção passiva e obstrução judicial, o senador Aécio ..

Folhapress - 18 de abril de 2018, 07:23

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Por Bernardo Caram e Gustavo Uribe

Réu pelas acusações de corrupção passiva e obstrução judicial, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) tentou demonstrar naturalidade nesta terça-feira (17) com a decisão da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).

Com a confirmação da aceitação da denúncia, o tucano compareceu ao plenário do Senado Federal, cumprimentou colegas e jornalistas e convocou um pronunciamento à imprensa.

"Eu recebo hoje com absoluta tranquilidade a decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, até porque já era esperada. E, agora, terei a oportunidade que eu não tive até aqui de provar de forma clara e definitiva a absoluta correção dos meus atos", afirmou.

Ele criticou os donos da JBS e os acusou de, "associados a membros do Ministério Público", tentar dar a impressão de ilegalidade a uma operação privada. O senador foi gravado no ano passado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, valor que foi entregue, segundo a acusação contra o tucano.

"O que houve foi uma gravíssima ilegalidade no momento em que esses empresários, réus confessos de inúmeros crimes, associados a membros do Ministério Público, tentam dar a impressão de alguma ilegalidade em toda essa operação privada para se verem livres dos inúmeros crimes que cometeram", disse o senador.

Em rápido pronunciamento, de cerca de dois minutos, o tucano disse ainda que é acusado por opiniões que proferiu e votos que deu como senador. "A atividade parlamentar não pode ser criminalizada por aqueles que não concordam com opiniões e propostas apresentadas por deputados e senadores. E isso não em meu benefício, e sim em respeito à lei, à democracia."

Vacina

O acolhimento da denúncia causou constrangimento na campanha presidencial de Geraldo Alckmin, sobretudo pelo risco de o candidato tucano ter de subir no mesmo palanque do mineiro caso ele dispute a reeleição a senador em outubro.

Em Brasília, para um evento com vereadores do país, o ex-governador de São Paulo adotou um discurso em defesa do Poder Judiciário, uma espécie de vacina contra eventuais impactos do episódio na sua candidatura.

"Não existe justiça verde, amarela, azul ou vermelha. Só existe Justiça. Decisão judicial se respeita e a lei é para todos, sem distinção", disse.

O tucano reconheceu que a situação do colega causa tristeza, mas defendeu que não causa embaraço nem ao partido nem à sua candidatura. Segundo ele, cabe agora a Aécio definir se será candidato nas eleições deste ano. "Cabe a ele definir o que vai fazer e como fazer", disse o ex-governador.

No evento, em resposta a um dos vereadores, Alckmin chegou a afirmar que "quem fica rico na política é ladrão". Em março, a Folha mostrou que, depois das eleições de 2014, o patrimônio de Aécio triplicou.

Na ocasião, o senador respondeu que não houve crescimento de seus bens, apenas valorização de um patrimônio pré-existente. Perguntado posteriormente se a frase também se referia ao senador tucano, Alckmin negou. "Não vou fazer pré-julgamento. Aécio é de uma família abastada", respondeu.

Com dificuldades de crescer nas pesquisas eleitorais, o tucano se apresentou como o candidato da conciliação, que trabalhará para unir um país dividido. "Através do diálogo, precisamos unir o país. Não podemos continuar com esse radicalismo", disse ele, criticando também a "intolerância".