Ao negar oitiva de Tacla Duran, Moro ataca advogado

Roger Pereira


A pessoa em questão tem por outro lado graves problemas de credibilidade”. Esse foi um dos argumentos do juiz federal Sérgio Moro para negar o pedido da defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de oitiva do advogado Rodrigo Tacla Duran, que denunciou adulteração nos sistemas de comunicação e contabilidade da Odebrecht (Drousys e My Web Day).

Para Moro, o ex-advogado da Odebrecht não deve ser ouvido porque, além de não ter sido arrolado como testemunha e não ter relação com o caso do sítio em Atibaia (processo no qual os advogados de Lula peticionaram a oitiva) “Duran é acusado de lavagem de dinheiro de cerca de dezoito milhões de dólares, teve a sua prisão preventiva decretada por este Juízo, fugiu, mesmo antes da decretação da prisão, e está refugiado no exterior”.

Moro reconhece que é certo que criminosos podem ser ouvidos em Juízo e vários, aliás, foram ouvidos perante este Juízo em processos da Operação Lava Jato. “Mas, neste caso, normalmente após terem celebrado um acordo de colaboração e assumido o compromisso de dizer a verdade. E aos seus depoimentos só se concedeu credibilidade quando corroborados. Já quanto a Rodrigo Tacla Duran, o que se tem, em cognição sumária, é um criminoso foragido, especializado em lavagem, sem compromisso com a verdade”, assim sustenta o juiz a palavra de Duran não é digna de crédito.

O juiz ainda critica insistência da defesa de Lula no depoimento “No contexto, ao invés de pretender ouvir testemunha no exterior ou ouvir novamente dezenas de testemunhas já inquiridas em outros processos, faria melhor a Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva que esclarecesse a causa dessas reformas, observando que, segundo aparentemente declarou Fernando Bittar, o proprietário formal do sítio, não foi dele a responsabilidade pelas reformas e nem pelo custeio. Se o ex-Presidente custeou essas reformas ou se ressarciu das despesas os responsáveis pelas obras, isso pode ser facilmente provado pela Defesa, até por documentos, não sendo necessário ouvir foragidos na Espanha para tanto”.

O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, criticou a decisão. “A decisão acentua o cerceamento de defesa que sempre foi demonstrado pela defesa do ex-Presidente Lula. A oitiva do advogado Rodrigo Tacla Durán foi mais uma vez indeferida a despeito de ele haver afirmado que pode comprovar a manipulação de documentos, dentre outros fatos relevantes. O acesso parcial a documentos que estão na posse do MPF reforça o conceito de “prova secreta”, que é incompatível com a garantia constitucional da ampla defesa.”

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal