Operação Lava Jato
Compartilhar

Apenas 8% dos réus da Lava Jato estão presos

Com BandNews CuritibaApenas 8% dos acusados na Operação Lava Jato em primeira instância permanecem detidos. De acordo co..

Mariana Ohde - 26 de janeiro de 2017, 07:23

Com BandNews Curitiba

Apenas 8% dos acusados na Operação Lava Jato em primeira instância permanecem detidos. De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), ao longo das 37 fases da operação, 260 pessoas foram denunciadas por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Foram decretadas 79 prisões preventivas, mas somente 22 réus continuam na cadeia.

Dos 22 réus que continuam presos preventivamente, 13 já foram condenados e nove aguardam julgamento. Entre eles estão o ex-ministro Antônio Palocci, o ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

O levantamento do MPF ainda mostra que grande parte das decisões tomadas em primeira instância, incluindo os pedidos de prisões preventivas, vêm sendo confirmadas pelos tribunais superiores. De um total de 512 habeas corpus e recursos em habeas corpus impetrados nos tribunais superiores, apenas 4,2% deram razão à defesa.

Prisões na Lava Jato

Em entrevista recente à BandNews, o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no MPF, Deltan Dallagnol, disse que o emprego de prisões preventivas tem sido parcimonioso e todas elas são justificadas. "Se repete que existem excessos nas prisões, mas não faz sentido", disse, "Eu identifiquei que apenas 9% do total de acusados estavam presos. Um número módico quando a gente considera o maior escândalo de corrupção da história". O coordenador da Lava Jato disse ainda que a “prisão dos principais líderes é uma medida dura, mas essencial, para quebrar o ciclo criminoso”.

O MPF também rebate as acusações feitas de que as prisões são utilizadas para forçar uma delação premiada dos investigados. Segundo o órgão, mais de 70% dos acordos de colaboração foram feitos com réus soltos.

"Existem campanhas difamatórias contra a Lava Jato, contra as pessoas da Lava Jato, contra as investigações, existem mentiras que são repetidas incessantemente por algumas pessoas com interesse na investigação com o objetivo de se criar aquela máxima do Goebbels, famoso marqueteiro da história, de que uma mentira repetida mil vezes pode ser tornar verdade. São repetidas mentiras tais como a de que os acordos de colaboração são obtidos mediante prisões quando mais de 70% dos acordos de colaboração foram feitos com pessoas soltas", explica.