Operação Lava Jato
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Barusco cobrou “propina da propina”

Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro na tarde desta sexta-feira, o empresário Zwi Skornicki, que representava os in..

Roger Pereira - 03 de fevereiro de 2017, 21:18

Em depoimento ao juiz federal Sérgio Moro na tarde desta sexta-feira, o empresário Zwi Skornicki, que representava os interesses da empresa Keppel Fels, de Cingapura no Brasil, revelou que pagou propina sobre a propina ao ex-gerente da Petrobras e ex-gerente da Sete Brasil Pedro Barusco. Zwi depôs na ação penal que tem entre os réus o ex-ministro Antônio Palocci, acusado de participação na arrecadação de propinas por parte do PT.

Zwi contou que, na negociação do valor do contrato do estaleiro Brasfel, de propriedade da Keppel no Brasil, com a Sete Brasil para a construção de sondas, Barusco pediu uma comissão “por fora” da propina já acertada. “Negociei o pagamento diretamente com Barusco, que, inicialmente, nos cobrou 1,2% sobre o contrato. Levei a proposta para o pessoal de Cingapura que rejeitou e ofereceu 0,9%, que seriam para ele, o Renato Duque (ex-diretor da Petrobrás e da Sete) e o João Vaccari (ex-tesoureiro do PT). O Barusco disse que aceitaria a proposta se, além desses 0,9%, a gente desse mais 0,1% para ele, sem o conhecimento dos outros dois”, relatou.

Barusco também depôs nesta tarde, mas, como foi ouvido antes de Zwi, não foi questionado sobre o assunto. Em seu depoimento, ele admitiu que era quem administrava a propina destinada “à casa”, enquanto João Vaccari Neto era responsável pelos valores destinados ao partido, e disse que recebia sua parte ou em depósitos no exterior ou em espécie. Barusco afirmou que só conversou sobre a distribuição de propina com Renato Duque e João Vaccari, que nunca encontrou o Antônio Palocci, mas que sabia que o presidente da Sete Brasil, João Ferraz, conversava com frequência com ele.