Operação Lava Jato
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BC encontra apenas R$ 119 em conta de operador do PMDB

Angelo Sfair, BandNews FM CuritibaApenas R$ 119 foram bloqueados das contas do lobista Jorge Luz, principal alvo ..

Narley Resende - 03 de março de 2017, 11:06

Angelo Sfair, BandNews FM Curitiba

Apenas R$ 119 foram bloqueados das contas do lobista Jorge Luz, principal alvo da Operação Blackout, a 38ª fase da Lava Jato. Esse é o valor total que ele mantém no sistema bancário. A mando da Justiça, o Banco Central localizou contas em três instituições. Duas delas estavam zeradas, e a outra mantinha somente esse valor insignificante. Ao todo, o juiz Sérgio Moro mandou bloquear R$ 50 milhões. Nas contas do filho Bruno Luz, também preso na Blackout, foram bloqueados pouco mais de R$ 4.302,87.

Segundo as investigações a dupla foi responsável por operar o pagamento de 40 milhões de dólares em propinas – que beneficiaram principalmente a Diretoria Internacional da Petrobras e senadores do PMDB.

O Ministério Público Federal afirma que dois parlamentares eram os responsáveis por receber a propina e distribuir entre outros políticos do partido. Os nomes não foram divulgados pela força-tarefa em Curitiba porque os investigados possuem foro privilegiado e são investigados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), em Brasília.

Os lobistas presos são os únicos alvos de prisão preventiva da 38ª fase da Lava Jato. Eles não têm data para sair da cadeia. Entre os crimes investigados na Operação Blackout estão corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.

Jorge e Bruno Luz, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF), operavam cinco contas no exterior – quatro delas comprovadamente para o pagamento de propinas. As operações aconteciam em paraísos fiscais como Suíça e Bahamas, em depósitos que variavam de 300 mil a seis milhões de dólares. Ao todo, cerca de 40 milhões de dólares em propinas foram movimentadas pelos operadores.

Jorge Luz atua na Petrobras desde quando José Sarney era presidente, em 1986. Contudo, a investigação foca nos últimos 10 anos. Apesar de a maioria dos crimes investigados estar relacionada à Diretoria Internacional, com indicações do PMDB, também são investigados contratos e propinas pagas nas diretorias de Abastecimento e Serviços, com indicações do PT e do PP. Entre as empresas que comprovadamente pagaram propinas estão a Schahin Engenharia e a Samsung.