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Bendine diz que está preso porque recuperou a Petrobras

Por Juliana Goss /BandnewsFM CuritibaEm depoimento de mais de duas horas e meia ao juiz Sérgio Moro, o ex-preside..

Roger Pereira - 16 de janeiro de 2018, 21:30

Por Juliana Goss /BandnewsFM Curitiba

Em depoimento de mais de duas horas e meia ao juiz Sérgio Moro, o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine, negou as acusações de ter recebido propina da Odebrecht. Bendine disse que jamais solicitou vantagens indevidas de dirigentes da empreiteira para facilitar a participação da mesma em contratos com a estatal. O réu é o único ex-presidente da Petrobras que virou alvo de processo na Operação Lava Jato. Segundo o Ministério Público Federal, o ex-executivo teria recebido R$ 3 milhões para intermediar a contratação da Odebrecht pela estatal. O interrogatório foi presencial no final da manhã de hoje (terça-feira, 16) e começou com quase uma hora de atraso por conta da demora na liberação do réu que está preso na sede da Polícia Federal em Curitiba. Bendine afirmou que não existem provas concretas contra ele nos autos.

“Não existe nenhuma prova, eu sou inocente, vou reafirmar isso até o fim da minha vida. Eu jamais solicitei ou autorizei que alguém fizesse em meu nome qualquer pedido de propina. Não existe nenhuma prova nem testemunhal nem material nos autos. Eu cansei de ler eles. Estou há seis meses preso, com a minha vida e a vida da minha família destruídas. Então, eu peço que o senhor faça a Justiça devida deste caso e repare o malfeito que foi feito com minha vida”.

Aldemir Bendine assumiu o comando da Petrobras em 2015. Nomeado pela então presidente da República, Dilma Roussef, ele tinha a missão de estancar a corrupção na estatal. Em depoimento, o ex-executivo ressaltou que cumpriu com todos os objetivos enquanto esteve no cargo e que hoje é vítima de uma brutal perseguição.

“Eu sofro hoje, aqui, uma perseguição brutal que eu não consigo entender o que é, que infelizmente me envergonha porque destruiu toda a integridade moral minha e de minha família, num negócio totalmente desprovido, talvez porque eu tenha tido a ousadia de, quando ninguém se prontificou, de assumir uma empresa que simplesmente ia desaparecer se não fosse o trabalho que aceitei e fiz. Consegui recuperar a empresa em um ano e meio e hoje se vangloriam no mercado”.

Depois das perguntas de Moro, foi a vez do Ministério Público Federal fazer os questionamentos ao réu. Ele seguiu as orientações dos advogados e não respondeu aos procuradores. No final da audiência ficou estabelecido o prazo de 30 de janeiro para a apresentação das alegações finais do MPF sobre o caso. Na sequência, a defesa de Bendine e dos outros 5 réus do processo devem entregar as últimas considerações. Depois os autos retornam as mãos de Moro que determina as sentenças ou absolvições. No interrogatório do ano passado, a defesa de Bendine alegou que não teve acesso a documentos que considerava relevantes para dar sequência ao processo e, por isso, orientou o cliente a permanecer calado.