Operação Lava Jato
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Bumlai deixa de responder Moro pela amizade que mantém com Lula

O pecuarista José Carlos Bumlai ficou em silêncio em audiência realizada hoje (30) na Justiça Federal em Curitiba, no pr..

Narley Resende - 30 de novembro de 2016, 13:15

O pecuarista José Carlos Bumlai ficou em silêncio em audiência realizada hoje (30) na Justiça Federal em Curitiba, no processo em que o ex-presidente Luiz Lula da Silva responde por lavagem de dinheiro ou ocultação de bens. A defesa alegou que o pecuarista responde a diversos processos em andamento que envolvem a relação dele com o ex-presidente Lula.

A advogada Daniella Meggiolaro também mencionou a "amizade" e o "relacionamento que o cliente mantém com o ex-presidente Lula" para reservá-lo o direito de permanecer em silêncio.

O juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba, considerou que o empresário tem o direito de não se incriminar, além de ressaltar que ele não é réu nesta mesma ação.

Bumlai compareceu à audiência em que foi convocado para depor como testemunha de acusação no processo contra Lula. De acordo a advogada Daniella Meggiolaro, qualquer resposta que ele viesse a dar sobre sua relação com o ex-presidente Lula teria relação com os processos em aberto.

"A denúncia diz expressamente que o meu cliente, José Carlos Bumlai, faria parte de um esquema criminoso, capitaneado pelo ex-presidente Lula, há várias passagens nesse sentido. O meu cliente responde a uma ação penal por suposta obstrução de Justiça por investigação de organização criminosa em co-autoria com o ex-presidente Lula. O meu cliente também é investigado em inquérito policial instaurado no Supremo Tribunal Federal por suposta organização criminosa também composta, além dele e do ex-presidente Lula, por outras pessoas".

"Em razão disso, excelência, qualquer resposta que ele venha a dar sobre sua relação com o ex-presidente Lula, necessariamente terá relação com os fatos nos quais ele já responde à ação penal e inquéritos policiais", declarou a advogada na audiência.

Meggiolaro citou a amizade que Bumlai mantém com Lula para justificar o silêncio.

"Até mesmo em relação à amizade e ao relacionamento que meu cliente mantém com o ex-presidente Lula, ele se reservará ao direito de não responder, de permanecer em silêncio, e quanto aos pontos específicos abordados na denúncia, aos pontos incriminados na denúncia, ele se encontra à disposição desse juízo, mas a defesa também adianta que desconhece completamente os fatos apurados  nessa ação penal", disse a advogada.

O procurador Júlio Carlos Motta Noronha lamentou a estratégia da defesa em descartar o que seria uma oportunidade de esclarecer os fatos. "Diante desse posicionamento da defesa do senhor José Carlos Bumlai, considerando os depoimentos que ele já prestou e que estão juntados como documentos da denúncia, anexos da denúncia, e considerando que seria oportunidade para ele esclarecer o que tem lá, e pelo visto ele não quer esclarecer, eu desisto dessa testemunha", concluiu.

Ao final da audiência, que durou pouco mais de 3 minutos, a única frase dita por Bumlai foi "bom dia, doutor Moro, muito obrigado". Os advogados de Lula não quiseram se pronunciar nesta audiência.

Em setembro, Moro condenou Bumlai, que foi apontado pelos investigadores como amigo pessoal do ex-presidente Lula, a nove anos e dez meses de prisão, como consequência das investigações da Operação Lava Jato.

Bumlai foi condenado por ter contraído um empréstimo, nunca quitado, de R$ 12 milhões no Banco Schahin com objetivo de usar o dinheiro para pagar dívidas de campanhas eleitorais do PT. Em troca, o grupo Schahin fechou um contrato de US$ 1,5 bilhão para operar um navio-sonda da Petrobras.

Por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), Bumlai cumpre prisão domiciliar, devido a seu debilitado estado de saúde.