Operação Lava Jato
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Cerveró acusa Lula de trocar diretoria da Petrobrás por perdão de dívida

Em depoimento por videoconferência à 10ª Vara Federal do Distrito Federal, o ex-diretor da área internacional da Petrobr..

Andreza Rossini - 08 de novembro de 2016, 15:57

Em depoimento por videoconferência à 10ª Vara Federal do Distrito Federal, o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró,  afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o teria indicado ao cargo na estatal, em 2008, como agradecimento pela atuação do ex-diretor pelo perdão de uma dívida de R$ 12 milhões do PT, junto ao banco Schahin, com recursos de um contrato da estatal.

“Não foi um reconhecimento oficial, mas foi um motivo de reconhecimento que levou o presidente Lula a me indicar para a BR Distribuidora. Isso me foi dito pelo pessoal da Schahin”, afirmou em depoimento. “A informação que me foi dada é que isso seria um reconhecimento do trabalho que eu havia feito na liquidação da dívida do PT em 2006. Eu tinha conseguido através da contratação da Schahin Óleo e Gás, operadora de uma das sondas que nós contratamos”, acrescentou Cerveró.

Cerveró também negou que o ex-presidente tenha tentado impedir o acordo de delação premiada, no âmbito da Operação Lava Jato, de acordo com a defesa do ex-presidente. Esse é o caso investigado neste processo.

A acusação de que Lula teria tentado comprar o silêncio do ex-diretor foi feita em delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral, que teria participado da ação. O ex-presidente negou a acusação e pediu a nulidade do processo.  O empresário José Carlos Bumlai e outras cinco pessoas são réus no mesmo processo.

Também são réus no caso o ex-advogado de Cerveró, Edson Ribeiro; o assessor de Delcídio, Diogo Ferreira; o ex-presidente do banco BTG Pactual André Esteves; e o pecuarista José Carlos Bumlai.

A defesa de Lula sustenta que a delação de Delcídio do Amaral é ilegal por não respeitar a regra de voluntariedade, prevista na Lei nº 12.850/2013, norma que definiu as regras de delação premiada. Além disso, os advogados argumentam que não há nenhum indício que aponte para suposta participação do ex-presidente.

Em setembro, Cerveró, Bumlai e executivos do Banco Schahin foram condenados por  Moro por causa de um empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões, contraído em 2004. O dinheiro foi destinado a pagar dívidas de campanha do PT e nunca foi devolvido. Em troca, o grupo Schahin celebrou, em 2006, um contrato de US$ 1,5 bilhão para operar um navio-sonda da Petrobras.

Veja a nota dos advogados de Lula na íntegra: 

Os depoimentos colhidos na data de hoje (8/11/2016) na 10ª Vara Federal do DF desmentem, de forma inequívoca, a delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral quanto à denuncia de obstrução de justiça envolvendo o ex-Presidente Luiz Inacio Lula da Silva.

Foram colhidos depoimentos de Nestor Cerveró, sua advogada e outras três pessoas, que negaram qualquer ação direta ou indireta de Lula com o intuito de impedir ou retardar a delação de Cerveró.

Diferentemente de versões já divulgadas pela mídia, Cerveró não disse que sua indicação para a diretoria da BR Distribuidora foi um ato de Lula como agradecimento por qualquer fato anterior. Ele confirmou que "ouviu dizer" por terceiros esta versão, citando o nome de Sandro Tordin, ex-executivo do setor privado, que não tinha nenhuma relação com Lula.

Dessa forma, a audiência de hoje deixou claro que nosso cliente não praticou qualquer ato ilícito antes, durante ou depois do cargo de Presidente da República. 

Com informações da Agência Brasil