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Cerveró diz que pediu a Temer para ser mantido no cargo

Em depoimento como testemunha de defesa do ex-deputado federal Eduardo Cunha, na Justiça Federal do Paraná, o ex-diretor..

Roger Pereira - 24 de novembro de 2016, 17:48

Em depoimento como testemunha de defesa do ex-deputado federal Eduardo Cunha, na Justiça Federal do Paraná, o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, reafirmou que foi sustentado no cargo pela bancada do PMDB no Senado e que, para isso, “arrecadou” US$ 6 milhões para os senadores Renana Calheiros e Jader Barbalho, através de propinas nos contratos da estatal. Ele informou que sua substituição por Jorge Zelada no cargo ocorreu por pressão do PMDB da Câmara e disse que chegou a pedir ao então presidente do partido, na época deputado federal Michel Temer para que fosse mantido no cargo, mas não teve sucesso.

“O PMDB se aproximou de mim através do ministro Silas Rondeau, que me apresentou ou PMDB do Senado. Em troca do apoio, repassei R$ 6 milhões a Renana Calheiros, Jader Barbário e Silas Rondeau por resultado obtido de negociações de propinas”, disse o depoente. Ele informou que sua substituição ocorreu num momento de fragilidade do PMDB do Senado, por conta da renúncia de Renan Calheiros da presidência da Casa após a denúncia de que recebeu propina para o pagamento de despesas pessoais, o que fez com que a bancada do partido na Câmara ganhasse mais peso e iniciasse a pressão para indicar um nome de sua confiança.

Cerveró revelou que, diante da situação, procurou deputados do PMDB, liderados pelo então deputado Fernando Diniz, de quem teria ouvido que, “se eu contribuísse com US$ 700 mil mensais para a bancada da Câmara, eles me apoiariam. Não concordei porque eu não tinha como fazer isso”.

Questionado pela defesa de Cunha se ele tratou da questão com o hoje presidente Michel Temer, o ex-diretor da Petrobras disse que “estive com Michel Temer, levado pelo José Carlos Bumlai. Ele marcou uma audiência com o então deputado Michel Temer, presidente do PMDB, no escritório dele em São Paulo. Eu fui lá, ele me recebeu muito bem, mas me disse que não poderia contrariar os interesses da bancada que ele comandava”. A defesa de Cunha chegou a questionar se a proposta de pagamento de US$ 700 mil mensais teria sido discutida com Temer, mas o juiz Sérgio Moro interrompeu e não o deixou responder, alertando que tal questão não fazia parte do processo e nem poderia ser abordada na primeira instância.