Operação Lava Jato
Compartilhar

Defesa de Bumlai questiona retorno à prisão em meio a tratamento de saúde

José Carlos Bumlai chegou à superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba pouco antes das 10h da manhã desta terç..

Mariana Ohde - 06 de setembro de 2016, 15:00

José Carlos Bumlai chegou à superintendência da Polícia Federal (PF) em Curitiba pouco antes das 10h da manhã desta terça-feira (6). Visivelmente abatido e acompanhado de advogados, ele não falou com a imprensa. Bumlai retorna ao regime fechado após passar cerca de seis meses em prisão domiciliar, enquanto realizava tratamento para combater um câncer.

Logo depois de se reapresentar às autoridades, Bumlai foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), onde fez exame de corpo de delito, e, na sequência, foi encaminhado para o Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Grande Curitiba.

A previsão inicial era de que ele retornasse ao regime fechado no dia 23 de agosto, mas essa data foi adiada por duas vezes porque – de acordo com a defesa de Bumlai – ele estava internado, sem previsão de alta, no Hospital Sírio Libanês, de São Paulo. O pecuarista foi colocado em prisão domiciliar, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, para o tratamento de saúde e precisou passar também por uma cirurgia cardíaca.

Para a advogada dele, Daniela Meggiolaro, não há justificativa para obrigar o cliente a voltar para a prisão em meio ao tratamento. "É uma decisão que manda de volta para a cadeia um homem de 71 anos, com câncer na bexiga, deve passar os próximos quatro meses a base de corticoide para tratar uma infecção causada justamente por causa do tratamento do câncer", explica, ressaltando que, nos meses em que esteve em prisão domiciliar, o pecuarista não teria agido de forma a justificar a nova prisão.

No despacho em que fixou para 6 de setembro a volta de Bumlai à prisão, o juiz Sergio Moro afirmou que, se houvessem razões médicas comprovadas, o pecuarista deveria ser internado em um hospital de Curitiba.

Moro cobrou, ainda, a realização de uma perícia médica a pedido do Ministério Público Federal (MPF). A avaliação pretende comprovar o real estado de saúde do acusado.

Segundo a advogada de Bumlai, ainda não há data para o procedimento, nem perito responsável designado. Daniela Meggiolaro afirmou que dependendo do resultado da perícia, a defesa pode sim pedir que a volta ao regime fechado seja alterada e destacou que já existem outras medidas em andamento. "Já existe um habeas corpus em trâmite no Supremo Tribunal Federal, cuja liminar foi deferida, mas que deve ser apreciado pela segunda turma do STF", afirma,

José Carlos Bumlai foi preso preventivamente em setembro de 2015, na 21ª fase da Lava Jato. Ele é acusado de realizar um empréstimo fraudulento junto ao banco Schahin. A operação aconteceu em 2004 em nome da pecuarista e o dinheiro foi repassado ao Partido dos Trabalhadores (PT), segundo as investigações.

(Com informações da CBN Curitiba)