Operação Lava Jato
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Delcídio envolve Palocci na cobrança de propina

De todas as testemunhas de acusação ouvidas até o momento na ação penal que apura a denúncia de envolvimento do ex-minis..

Roger Pereira - 03 de fevereiro de 2017, 21:03

De todas as testemunhas de acusação ouvidas até o momento na ação penal que apura a denúncia de envolvimento do ex-ministro Antonio Palocci no pagamento de propinas de estaleiros com contratos com a Sete Brasil (estatal constituída para a construção de sondas e plataformas, o ex-senador Delcídio Amaral foi o único, até o momento, a relacionar a participação de Palocci no esquema.

Delator na Lava Jato, Delcídio reconheceu, como admitido por outras testemunhas, que Palocci não tinha atuação direta na cobrança de propina de contratos da Petrobras e da Sete Brasil, mas disse que o ex-ministro “atuava via João Vaccari e via Renato Duque, que era um diretor alinhado ao PT”, disse. “Palocci era quem fazia efetivamente o contato com os empresários, conversava sobre os projetos, fazia a ponte com o governo. O Vaccari era a ponta, fazia o que lhe era determinado”, acrescentou.

Outros delatores que já depuseram na ação, como Pedro Barusco (ex-gerente da Petrobras), Zwi Skornicki (representante da Keppel Fels) e Ricardo Pessoa (da UTC Engenharia) negaram participação do ex-ministro.

Questionado, no entanto, se participou de algum desses atos juntamente com o ex-ministro ou se, ao menos, testemunhou alguma ação direta de Palocci, ele negou. “Evidentemente que eu não presenciava disso, pois era feito em um pequeno grupo dentro do PT, mas eu ouvi de empresários, ouvi dentro da Petrobras, ouvi de políticos. Tenho as informações muito pertinentes sobre essa cadeia de comando”, disse, gerando uma discussão com a defesa de Palocci. “O depoimento da testemunha é baseado no ‘eu acho’, ‘ouvi dizer’, não cita um fato, nem um nome sequer”, disse o advogado de Palocci, José Roberto Batocchio, que pediu para Delcídio dizer um ato, com nomes, locais e valores, em que Palocci tenha negociado ou ao menos mencionado a cobrança de propina. “Todos os bancos, todas as empresas, é só consultar minimamente as prestações de contas”, respondeu Delcídio sem detalhar.

O juiz Sérgio Moro voltou a questionar Delcídio, pedindo para ser mais específico. “Eu conheço a estrutura que foi montada, mas como foi feito, eu não participei”, disse, afirmando que quem lhe relatava reuniões com Palocci era o ex-presidente da Sete Brasil, João Carlos Ferraz e o ex-diretor da Petrobras e da Sete Renato Duque.