Operação Lava Jato
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Ex-presidente da Andrade Gutierrez diz que negociou propina diretamente com Sérgio Cabral

Em depoimento na 13ª Vara Federal de Curitiba, em ação penal que tem como réu o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio C..

Roger Pereira - 07 de março de 2017, 19:54

Em depoimento na 13ª Vara Federal de Curitiba, em ação penal que tem como réu o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, o ex-presidente da Andrade Gutierrez Rogério Nora de Sá informou ao juiz federal Sérgio Moro que, além do contrato da obra do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) - alvo da ação penal em questão - a empreiteira pagou a Cabral propinas por obras estaduais fluminenses, como na favela da Rocinha, Manguinhos e Morro do Alemão. Segundo o empresário, o pagamento foi acertado em reunião no Palácio Guanabara, na presença de Cabral, e teve o então secretário de governo Wilson Carlos Cordeiro da Silva Carvalho como indicador dos destinatários do pagamento, de até 5% do valor dos contratos.

Especificamente sobre as obras do Comperj, Rogério Nora de Sá relatou que recebeu, diretamente de Cabral, um pedido de pagamento de 1% do valor do contrato de terraplanagem, parte assumida pela Andrade Gutierrez no consórcio responsável pelo Complexo. “Ouvi o pedido do governador para o pagamento do percentual específico sobre esse contrato, mas disse que teria muita dificuldade porque a concorrência foi acirrada e com preço bem baixo, mas ele disse que havia o compromisso com o Paulo Roberto Costa (diretor de abastecimento da Petrobras) de que teria que ser pago 1% sobre os contratos de terraplanagem. Paulo Roberto me confirmou a informação e, então, efetuamos os pagamentos”, disse, afirmando ter repassado R$ 2,7 milhões a Cabral.

Sobre as obras estaduais, o empresário contou que começou a pagar propinas a Cabral antes mesmo de vencer as licitações. "Quando Sérgio Cabral tomou posse, nos pediu um adiantamento de R$ 350 mil, que seriam abatidos de obras futuras", disse.