Operação Lava Jato
Compartilhar

Ex-presidente da Queiroz Galvão paga R$ 2 milhões de fiança para cumprir prisão domiciliar

O ex-presidente da empreiteira Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho obteve habeas corpus no processo relacionado a 33ª..

Fernando Garcel - 29 de setembro de 2016, 14:40

O ex-presidente da empreiteira Queiroz Galvão Ildefonso Colares Filho obteve habeas corpus no processo relacionado a 33ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Resta Um, e após pagar a fiança de R$ 2 milhões poderá deixar a prisão em Curitiba com uso de tornozeleira eletrônica. Ele estava em prisão domiciliar desde 29 de agosto para tratamento de um câncer e conseguiu revogar o mandado de prisão preventiva junto ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

Além de Ildefonso, o ex-diretor da empreiteira Othon Zanoide de Moraes Filho, que estava detido no Complexo Médico Penal de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba,  também vai responder ao processo em liberdade.

A decisão de aceitar o pedido da defesa dos executivos foi da 8ª Turma do TRF-4, com sede em Porto Alegre. Os desembargadores também restauraram as medidas cautelares e ambos terão os passaportes confiscados e serão obrigados a comparecer em todos os atos do processo.

O relator do habeas corpus, desembargador João Pedro Gebran Neto, votou pela manutenção da prisão preventiva, mas foi vencido pelo voto dos desembargadores Victor Luiz dos Santos Laus e Leandro Paulsen, que concederam a liberdade sob monitoramento e fiança.

Os dois empresários são acusados pelo crime de corrupção ativa pelo oferecimento de R$ 10 milhões em propina, no segundo semestre de 2009, ao então senador Sérgio Guerra (PSDB-SP, falecido em 2010) e ao deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) para que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, instalada no mesmo ano, não tivesse resultado efetivo.

Capturar

Operação "Resta Um"

O ex-presidente da construtora Ildefonso Colares Filho e o ex-diretor Othon Zanoide de Moraes Filho foram presos preventivamente no Rio de Janeiro no início de agosto durante a deflagração da 33ª fase da Operação Lava Jato.

Lava Jato denuncia empresários detidos na 33ª fase

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a Queiroz Galvão participava de um cartel, juntamente com outras construtoras, que fraudava licitações da Petrobras, garantindo o lucro das empreiteiras e causado prejuízo à estatal. Segundo investigações, os executivos da Queiroz Galvão pagaram propinas a funcionários das diretorias de Serviços e de Abastecimento. Segundo o MPF, há provas documentais e depoimentos de colaboradores que comprovam o esquema.

Para a delegada Renata da Silva Rodrigues, integrante da força-tarefa, os valores movimentados são “bastante impressionantes”. A delegada afirma que houve propina disfarçada em doações eleitorais, contratos simulados com Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, entre outros.

Segundo a delegada, os valores somam mais de R$ 10 milhões – R$ 7,5 milhões em doações oficiais para campanhas, R$ 250 mil em um contrato simulado com o consórcio Ipojuca, R$ 1,2 milhão em contrato com a KFC Hidrossemeadura, contrato com a Costa Global, simulado por Paulo Roberto Costa, no valor de R$ 500 mil e com a Quip, de US$ 900 mil. Haveria ainda uma dívida da construtora com Pedro Barusco, no valor de R$ 24 milhões – valor encontrado em notas do ex-gerente de serviços da Petrobras.

Entre as obras que teriam tido fraude em contratos estão a Refinaria Abreu e Lima, Refinaria Vale do Paraíba, Refinaria Landulpho Alves e Refinaria Duque de Caxias.

Há, ainda, indícios de transferências de propina por meio de contas secretas no exterior, feitos pela Queiroz Galvão e pelo trust Quadris, vinculado ao consórcio Quip, que favorecem funcionários da Petrobras. “Os executivos também são investigados pela prática sistemática de pagamentos indevidos a diretores e funcionários da Petrobras, bem como o repasse de valores a agremiações políticas travestidos de doações oficiais através de operadores”, segundo a PF.

Também são investigadas tentativas de prejudicar uma CPI realizada no Senado em 2009 com o objetivo de investigar irregularidades na Petrobras, por meio do tucano Sérgio Guerra. Foram identificados “indícios concretos do pagamento indevido de valores por executivos da Construtora Queiroz Galvão com o objetivo de dificultar os trabalhos da comissão”. O coordenador da força-tarefa Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, ressaltou a gravidade da obstrução dos trabalhos de apuração de 2009, porque “a investigação da CPI era como um guardião da Petrobras. As evidências indicam que o ladrão roubou a casa e, em seguida, matou o vigia”.