Operação Lava Jato
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Empresário que tentou fugir é o primeiro denunciado do ano na Lava Jato

A força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou, nesta quarta-feira (12), o executivo Mariano Marcondes Ferraz, represent..

Jordana Martinez - 12 de janeiro de 2017, 14:37

A força-tarefa da Operação Lava Jato denunciou, nesta quarta-feira (12), o executivo Mariano Marcondes Ferraz, representante da empresa Decal do Brasil, por corrupção e lavagem de dinheiro. Ele é acusado de pagar US$868.450,00 em propina para obter a renovação do contrato firmado entre a Decal do Brasil e a Petrobras, no Porto de Suape, em Pernambuco.

O empresário chegou a ser preso em outubro do ano passado ao tentar deixar o país, mas pagou fiança de R$ 3 milhões e foi liberado. O Juiz Sérgio Moro acabou reavaliando a situação e a  prisão foi substituída  por medidas cautelares, como a proibição de deixar o país e mudar de endereço. À época, ele também assumiu o compromisso de comparecer a todos os atos do processo.

Antes mesmo da audiência, que resultou na liberdade, a defesa apresentou uma petição em que Mariano Ferraz admitia o pagamento da propina ao ex-diretor da Petrobras. O empresário afirmou ainda que pretendia colaborar com a apuração dos fatos.

Denúncia

Segundo a denúncia, em 2006, a Petrobras contratou a Decal do Brasil para a prestação de serviços de armazenagem e acostagem de navios no Porto de Suape (PE), com prazo de duração de cinco anos. Ao final do contrato, havia resistência da estatal em realizar nova contratação da empresa, que insistia em renovar o contrato com preços majorados. Para resolver a situação a favor da Decal do Brasil, Mariano Marcondes Ferraz ajustou o pagamento de propina com Paulo Roberto Costa, então diretor de Abastecimento da estatal petrolífera.

Ainda de acordo com as investigações, em 2011, antes mesmo da renovação do contrato entre a Decal do Brasil e a Petrobras, o empresário iniciou o pagamento das vantagens indevidas a Paulo Roberto Costa. Para ocultar a origem e movimentação criminosa do dinheiro, os valores foram pagos por meio de três repasses ao então diretor da estatal em contaoffshore no exterior, caracterizando o crime de lavagem de dinheiro.

Em 2011, foram pagos US$ 439.150,00, que correspondem a aproximadamente 50% da propina ajustada. Em virtude do adiantamento da propina, em 1.º de maio de 2012 foi renovado o contrato entre a Petrobras e a Decal do Brasil, para prestação de serviços de armazenagem e movimento de granéis líquidos no Porto de Suape, com validade de mais cinco anos. O pagamento do restante do valor da propina foi efetuado entre agosto de 2012 e fevereiro de 2014, também por meio de lavagem de dinheiro, mediante cinco depósitos que totalizaram US$ 433.300,00.

Os pagamentos foram feitos a partir das contas Tik Trading, Firmainvest e Firma Par, mantidas no exterior por Mariano Ferraz, para a conta da offshore Ost Invest e Finance Inc (OST INVEST), mantida por parentes de Paulo Roberto Costa no Banco Lombard Odier, sediado em Genebra, Suíça.