Operação Lava Jato
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“Judiciário é feito para não funcionar” desabafa procurador da Lava Jato

No Dia Internacional de Combate à Corrupção, o procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Ja..

Redação - 19 de abril de 2016, 12:53

Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Fotoarena
Foto: Rodolfo Buhrer / La Imagem / Fotoarena

No Dia Internacional de Combate à Corrupção, o procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná, Daltan Dallagnol, fez críticas ao atual sistema judiciário, que, segundo ele, favorece a impunidade. O número de instâncias, a sobrecarga de processos e a prescrição dos crimes, mesmo que a demora tenha sido causada pela morosidade da Justiça, estão entre os pontos questionados: “enquanto a Suprema Corte norte-americana julga 100 casos por ano, no Brasil o Supremo tem que analisar mais de 100 mil. É um sistema feito para não funcionar”, afirmou em entrevista à rádio Band News Curitiba. “O índice de punição final criminal no Brasil é de menos de 3% em relação aos casos de corrupção na esfera administrativa. Hoje no Brasil, infelizmente, todos os grandes casos criminais contra corruptos e corruptores acabam em pizza”, admitiu.

Sobre a Lava Jato, o procurador considera que houve um avanço no combate à corrupção jamais visto na história do país. E atribui o sucesso da operação ao acaso, uma “conspiração do universo” contra a impunidade.  Para ele, um dos fatores decisivos foi a instituição da Delação Premiada: “Foram recuperados mais de 2,8 bilhões de reais, o maior valor já repatriado na história”, afirmou. “Muitas recuperações estão acontecendo de modo extraordinário porque nós fizemos muitos acordos de colaboração. Com os acordos, os réus não só reconhecem sua culpa, mas devolvem o dinheiro desviado dos cofres públicos, além de entregar fatos e provas sobre o que eles cometeram e também novos fatos que a gente ainda desconhecia”, explicou.

Para o procurador, a certeza da impunidade é o principal fator que colabora para os índices de corrupção no Brasil. Uma campanha do Ministério Público propõe mudanças na legislação combater esse tipo de crime. O objetivo é reunir 1,5 milhão de assinaturas, para que as propostas sejam levadas ao Congresso Nacional por meio de projeto de lei de iniciativa popular. Nesta quarta-feira o abaixo-assinado atingiu a marca de 850 mil assinaturas. Conheça e apoie as “10 Medidas Contra a Corrupção”