Lula é denunciado por corrupção e lavagem no caso do sítio de Atibaia

Jordana Martinez


A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba denunciou, nesta segunda-feira (22), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por diversos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

De acordo com a denúncia, Lula é acusado de “estruturar, orientar e comandar esquema ilícito de pagamento de propina em benefício de partidos políticos, políticos e funcionários públicos com a nomeação, enquanto presidente da República, de diretores da Petrobras orientados para a prática de crimes em benefício das empreiteiras ODEBRECHT e OAS; bem como ao receber propina para o seu benefício próprio consistente em obras e benfeitorias relativas ao sítio de Atibaia custeadas ocultamente pelas empresas SCHAHIN, ODEBRECHT e OAS”.

Comandante do esquema

Na denúncia, Lula é apontado como o responsável por comandar “uma sofisticada estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, assentada na distribuição de cargos públicos na Administração Pública Federal”. Os procuradores apontam que esse esquema ocorreu nas mais importantes diretorias da Petrobras, mediante a nomeação de Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró, respectivamente, para as diretorias de Abastecimento, de Serviços e Internacional da estatal.

Ainda de acordo com os procuradores, por meio do esquema, estes diretores geravam recursos “que eram repassados para enriquecimento ilícito do ex-presidente, de agentes políticos e das próprias agremiações que participavam do loteamento dos cargos públicos, bem como para campanhas eleitorais movidas por dinheiro criminoso”.

Essa é a terceira denúncia do MPF contra Lula, apresentada à Justiça Federal, em Curitiba. Cabe agora ao juiz Sérgio Moro aceitar ou não a denúncia dos procuradores da Lava Jato. Por enquanto a defesa de Lula não se manifestou sobre essa nova denúncia.

Outros denunciados

Além de Lula, outras 12 pessoas são citadas neste processo; Marcelo Odebrecht, ex-presidente da Odebrecht, Léo Pinheiro, dono da OAS, o pecuarista José Carlos Bumlai, Agenor Franklin Medeiros, ex-executivo da OAS, Rogério Aurélio Pimentel, ex-assessor especial da Presidência, Emílio Odebrecht, dono da construtora Odebrecht, Alexandrino de Alencar, ex-executivo da Odebrecht, Carlos Armando Guedes Paschoal, ex-diretor da Odebrecht, Emyr Diniz Costa Junior, engenheiro da Odebrecht, Roberto Teixeira, advogado de Lula, Fernando Bittar, empresário, sócio de um dos filhos do ex-presidente, Paulo Gordilho, engenheiro da OAS.

Todos são acusados de lavagem de dinheiro e corrupção ativa ou passiva

Segundo os procuradores, a acusação refere-se à propina de pelo menos R$ 128.146.515,33 pagas pela Odebrecht, em quatro contratos firmados com a PETROBRAS, além de a vantagens indevidas de R$ 27.081.186,71, pagas pela OAS, em três contratos firmados com a estatal.

Esses valores teriam sido repassados a partidos e políticos que davam sustentação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Progressista (PP) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), além de agentes públicos da Petrobras envolvidos no esquema.

Sítio de Atibaia

Parte do valor das propinas pagas pela Odebrecht e pela OAS, no valor aproximado de R$ 870.000,00, teria sido lavada mediante a realização de reformas, construção de anexos e outras benfeitorias no Sítio de Atibaia, para adequá-lo às necessidades da família do denunciado Luiz Inácio Lula da Silva, assim como mediante a realização de melhorias na cozinha do referido Sítio e aquisição de mobiliário para tanto.

Ainda segundo a denúncia, também teria sido objeto de lavagem de dinheiro uma parte dos valores de propina oriunda “dos crimes de gestão fraudulenta, fraude à licitação e corrupção no contexto da contratação para operação da sonda Vitória 10000 da SCHAHIN pela PETROBRAS, a qual foi utilizada, por intermédio de José Carlos Bumlai, para a realização de reformas estruturais e de acabamento no Sítio de Atibaia, no valor total de R$ 150.500,00”.

A denúncia foi elaborada com base em depoimentos, documentos apreendidos, dados bancários e fiscais bem como outras informações colhidas ao longo da investigação, todas disponíveis nos anexos juntados aos autos.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.