Livre há seis meses, Youssef planeja retomar vida empresarial

Narley Resende


Lenise Aubrift Klenk e Thaissa Martiniuk 

Depois de seis meses fora da cadeia, o doleiro Alberto Youssef, um dos principais delatores da Operação Lava Jato, divide o tempo entre a família, planos para abrir um novo negócio e uma agenda ainda movimentada de depoimentos como colaborador.

Youssef deixou a prisão em Curitiba em 17 de novembro do ano passado. Ficou quatro meses em prisão domiciliar em São Paulo e na última quarta-feira completou dois meses em regime aberto.

No regime aberto, Alberto Youssef ainda é submetido a algumas restrições. Além de ser monitorado por uma tornozeleira eletrônica, ele precisa voltar para casa todas as noites e não pode sair nos finais de semana.

Habilidoso no crime, Youssef também foi um comerciante hábil desde a juventude em Londrina, no Norte do Paraná. Ele chegou a dizer ainda enquanto estava preso que voltaria a se tornar um empresário bem-sucedido.

Um dos advogados do doleiro, Tracy Reinaldet, diz que Youssef enfrenta dificuldades de reconquistar credibilidade – inclusive em bancos – depois de ter sido condenado e ter um dos nomes mais expostos na Lava Jato.

Mesmo assim, o ex-doleiro estaria buscando alternativas em ramos empresariais lícitos nos quais tem experiência.

Alberto Youssef
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

“Alberto Youssef é um empresário que tinha algumas empresas do ramo de turismo e que operavam licitamente, sim, e a partir desse know-how que ele desenvolveu sendo empresário que ele vai buscar se reerguer profissionalmente, buscar um emprego, recomeçar a vida”, coloca.

Atividade lícita é também condição pessoal, diz advogado.

“A partir das qualidades pessoais que ele tem nesse ramo, da força de vontade dele, que ele tem, que ele vai buscar uma atividade licita. Sempre, né. Essa é uma condição que ele colocou pra ele pessoalmente e desenvolver alguma atividade no ramo empresarial. Algum remo específico? Não, não. Ainda as cogitações são hipóteses abstratas, nada, nenhum projeto concreto”, afirma o advogado.

Como delator, Alberto Youssef é obrigado a manter o compromisso de prestar depoimento a autoridades sempre que requisitado, o que tem acontecido pelo menos a cada 15 dias.

Um depoimento a cada 15 dias 

Segundo Tracy Reinaldet, a maioria das obrigações é cumprida na capital paulista, onde Youssef mora.

“Alberto Youssef tem uma colaboração muito importante na Operação Lava Jato. Foi a terceira colaboração da Lava Jato. Foi a primeira grande colaboração estrutural, no sentido de fazer essa conexão entre as empresas, via Petrobras, e também o braço político. Por conta dessa importância da colaboração de Alberto Youssef a vida útil dele como colaborador perdura ainda. Óbvio que a quantidade de depoimentos diminuiu, mas ainda, pelo menos a cada 15 dias Alberto é ouvido por alguma autoridade, seja PF, MPF, PGR, ou autoridades públicas que ele deva colaborar”, conta.

Alberto Youssef firmou acordo de delação premiada com a Lava Jato depois da doleira Nelma Kodama e do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

Condenações somam 121 anos

Condenado em nove processos por penas que somam 121 anos e 11 meses de prisão, ficou detido por dois anos e oito meses na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Ele completou os 3 anos da pena estabelecida como benefício no acordo com os quatro meses de prisão domiciliar, em um apartamento na Vila Nova Conceição, em São Paulo.

Caso Banestado

A delação premiada da Lava Jato é a segunda firmada por Alberto Youssef.

Em 2003, ele colaborou com as investigações do caso Banestado, depois de ser acusado de lavagem de dinheiro, numa fraude que chegou a US$ 124 bilhões. Mas quebrou o acordo ao voltar a cometer crimes.

Se Youssef fizer o mesmo no caso da Lava Jato, pode ser preso novamente e perder todos os benefícios.

Veja a linha do tempo da Operação Lava Jato

Edição: Narley Resende

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