Operação Lava Jato
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Lula é denunciado na Lava Jato pela segunda vez

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva e lavagem d..

Andreza Rossini - 15 de dezembro de 2016, 14:03

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato, na tarde desta quinta-feira (15). É a primeira acusação que relaciona o réu a contratos irregulares firmados entre a Petrobras e Odebrecht.

Essa é a terceira imputação contra o ex-presidente na Lava Jato. Neste ano, Lula também foi denunciado nas Operações Zelotes e Janus.

Outras oito pessoas também foram denunciadas: o empresário Marcelo Odebrecht, acusado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro; Antonio Palocci e Branislav Kontic, denunciados pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro; e Paulo Melo, Demerval Gusmão, Glaucos da Costamarques, Roberto Teixeira e Marisa Letícia Lula da Silva, acusados da prática do crime de lavagem de dinheiro.

O ex-presidente é apontado como o responsável por comandar uma estrutura ilícita para captação de apoio parlamentar, baseada na distribuição de cargos públicos e na Administração Pública Federal. Segundo a denúncia, o esquema ocorreu nas diretorias mais importantes da estatal, com a nomeação de Paulo Roberto Costa e Renato Duque, para as diretorias de Abastecimento e Serviços da Estatal.

No esquema, os diretores geravam recursos que eram repassados para enriquecimento ilícito do ex-presidente, dos agentes políticos e das próprias agremiações, que participavam do loteamento dos cargos públicos e para campanhas eleitorais.

A denúncia aponta que nesse esquema, a propina era equivalente a 2% e 3% dos oito contratos firmados entre a construtora e a Petrobras, totalizando R$ 75 milhões em dinheiro ilícito. O valor foi repassado para partidos políticos que sustentavam o governo de Lula, como o Partido dos Trabalhadores (PT), o Partido Progressista (PP) e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB).

Parte da propina paga pela Odebtecht foi paga com o imóvel do atual Instituto Lula, em setembro de 2010, intermediada pelo então deputado federal Antonio Palocci, com auxílio do assessor Branislav Kontic, que mantinham contato direto com Marcelo Odebrecht. O valor total com compra e manutenção do imóvel chegou a R$ 12 milhões.

A denúncia foi elaborada com base em depoimentos, documentos apreendidos, dados bancários e fiscais bem como outras informações colhidas ao longo da investigação, todas disponíveis nos anexos juntados aos autos.