Operação Lava Jato
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Lula processa ex-senador Delcídio do Amaral por mentir em delação

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram com um processo contra o ex-senador Delcídio do Amaral,..

Andreza Rossini - 11 de novembro de 2016, 16:06

Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram com um processo contra o ex-senador Delcídio do Amaral, pedindo reparação por danos morais.

De acordo com a defesa, Delcídio mentiu durante a delação premiada na Operação Lava Jato, ao afirmar que Lula tentou obstruir a Justiça, tentando impedir a delação do ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

Como base, a defesa usa do último depoimento de Cerveró e de outras quatro testemunhas, ouvidas por Moro na última quarta-feira (8), que negaram a tentativa de Lula de impedir o depoimento do ex-diretor da estatal.

A acusação de que Lula teria tentado comprar o silêncio do ex-diretor foi feita em delação premiada do ex-senador Delcídio do Amaral, que teria participado da ação. O ex-presidente negou a acusação e pediu a nulidade do processo.  O empresário José Carlos Bumlai e outras cinco pessoas são réus no mesmo caso.

A defesa de Lula sustenta que a delação de Delcídio do Amaral é ilegal por não respeitar a regra de voluntariedade, prevista na Lei nº 12.850/2013, norma que definiu as regras de delação premiada. Além disso, os advogados argumentam que não há nenhum indício que aponte para suposta participação do ex-presidente.

Veja a nota na íntegra: 

Na qualidade de advogados de Luiz Inácio Lula da Silva protocolamos nesta data (11/11/2026) ação de reparação de danos morais contra o ex-senador Delcídio do Amaral por ele ter, em delação, mentido ao dizer que nosso cliente agiu para obstruir a justiça. Os cinco depoentes da audiência pública ocorrida em 8/11 na 10ª Vara Federal de Brasília foram unânimes ao reconhecer que Lula jamais tentou interferir, direta ou indiretamente, na delação premiada de Nestor Cerveró, ao contrário do que fora afirmado por Delcídio do Amaral. 

À medida que caem por terra pilares antes fincados por membros da força tarefa da Operação Lava Jato para incriminar Lula, não surpreende que a revista IstoÉ antecipe de forma sensacionalista sua edição semanal, para promover uma nova denúncia frívola e sem prova contra o ex-Presidente. Aliás, foi a mesma IstoÉ que publicou a delação de Delcídio, valendo-se do mesmo recurso de antecipação de edição.

Ao lançar uma suspeita de recebimento de vantagem indevida nos moldes em que fez, reconhecendo a dificuldade de provar o afirmado, a revista atribui a Lula a prova negativa ou diabólica. Um recurso sem dúvida muito conveniente para delações em gestação no balcão de negócios da Lava Jato, com a finalidade precípua de manchar a honra e a reputação de Lula. Afinal, há muito se prepara a opinião pública para uma delação que de forma bombástica traria a prova "cabal" contra Lula, num processo de incriminação antecipada do ex-Presidente, tática por nós já identificada no rol dos perversos recursos do lawfare - a manipulação de leis e procedimentos jurídicos para fins de perseguição política. 

A verdade é que, após a Lava Jato ter realizado uma devassa na vida de Lula, seus familiares e colaboradores, não foi identificado nenhum valor ilegal por eles mantido no País ou no exterior. Por isso a necessidade de inventar a estapafúrdia versão do dinheiro em espécie, que jamais foi recebido por Lula.

Os responsáveis pela reportagem serão acionados na Justiça, para que respondam pelos ilícitos civis e criminais cometidos em decorrência dessa publicação.