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MPF pede condenação de lobista Jorge Luz

Em alegações finais protocoladas junto à 13ª Vara Federal de Curitiba, o Ministério Público Federal pediu, nesta terça-f..

Roger Pereira - 15 de agosto de 2017, 22:22

Em alegações finais protocoladas junto à 13ª Vara Federal de Curitiba, o Ministério Público Federal pediu, nesta terça-feira, a condenação do lobista Jorge Luz, preso na 38ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em fevereiro, sob a acusação de ser o operador das contas de propina do PMDB no exterior.

Jorge Luz, seu filho, Bruno Luz e outros cinco réus são acusados de viabilizar o pagamento de US$ 15 milhões a políticos do PMDB e a funcionários da Petrobras entre 2006 e 2008 para garantir que a Samsung Heavy Industries fosse contratada para construir dois navios-sondas para a estatal e para que a Schahin Engenharia fosse escolhida para operar um deles.

Mesmo sem ter firmado acordo de delação premiada, Jorge Luz é réu confesso no processo. Em depoimento prestado no dia 19 de julho, ele admitiu ter negociado o pagamento de R$ 11,5 milhões de propina ao deputado federal Anibal Gomes (PMDB-CE) e aos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Jader Barbalho (PMDB-PA).

Operadores do PMDB

Jorge e Bruno Luz estão detidos no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

Segundo a acusação, pai e filho teriam movimentado 40 milhões de dólares em propinas para beneficiar peemedebistas e agentes públicos em cinco contratos da estatal, no Brasil e no exterior.

São investigadas uma série de irregularidades em contratos da Petrobras de navios-sonda entre os anos de 2006 e 2007. Entre os beneficiários estaria o deputado cassado Eduardo Cunha.

Respondem a este processo, além de Jorge e Bruno Luz, os executivos do grupo Schahin, Milton Schain e Fernando Schahin, os doleiros Jorge Davies e Raul Davies e os ex-gerentes da Área Internacional da Petrobras, Demarco Epifânio e Luis Carlos Moreira.

Investigação

Jorge e Bruno Luz, são investigados por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, suspeitos de intermediar propina de forma profissional e reiterada na diretoria Internacional da Petrobras, com atuação também nas diretorias de Serviço e Abastecimento da estatal.

Os operadores passaram a ser alvos da Lava Jato após colaborações premiadas reforçados pela apresentação de informações documentais, além de provas levantadas por intermédio de cooperação jurídica internacional.

Jorge Luz foi citado, em dezembro de 2015, em depoimento de Nestor Cerveró. “O Jorge Luz era um operador, foi um operador muito atuante na Petrobras, que inclusive foi sócio do João Augusto no passado, eles são até, não tenho certeza, mas eles têm uma relação de … um é padrinho do casamento do outro, não sei exatamente, acho que o Jorge Luz é padrinho de um dos casamentos do João Augusto. Eles tinham uma relação muito próxima. Então o Jorge Luz foi quem divulgou junto a esse grupo, as … vamos chamar assim, as vantagens que poderiam advir da diretoria internacional. Eu conheci o Jorge Luz … uma informação adicional, o Jorge Luz foi quem fez a operação da transferência desses 6 milhões de dólares que eu me referi, de apoio ao PMDB”.

Seu nome também foi incluso no inquérito-mãe da Lava Jato no ano passado, quando houve a divisão de um dos maiores inquéritos da operação por ordem do então ministro e relator Teori Zavascki, morto em janeiro.

De acordo com o MPF, os investigados intermediaram propinas na compra dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000; na operação do navio sonda Vitoria 10.000 e na venda, pela Petrobras, da Transener para a empresa Eletroengenharia. Além da Diretoria Internacional, conforme o MPF, esporadicamente os investigados atuavam também em outras diretorias da Petrobras.

Na área de Abastecimento, as investigações identificaram a participação deles na intermediação de propinas no contrato de aluguel do terminal de tancagem celebrado entre a Petrobras e a empresa Trafigura, e no contrato de fornecimento de asfalto com a empresa Sargent Marine.

Também foi identificada atuação dos investigados no pagamento de propinas para Pedro Barusco, ex-gerente da diretoria de Serviços, decorrente de contratos celebrados com a empresa Sete Brasil para exploração do pré-sal.

Para realização dos pagamentos de propina de forma dissimulada, os alvos desta nova fase utilizavam contas de empresas offshores no exterior. No decorrer das investigações foram identificados pagamentos em contas na Suíça e na Bahamas.