MPF suspende delação de ex-presidente da OAS após vazamento

Mariana Ohde


Da BandNews Curitiba

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou nesta segunda-feira (22) que suspendeu as negociações do acordo de delação premiada com o empresário José Aldemário Pinheiro, conhecido como Léo Pinheiro. Ele é ex-presidente da construtora OAS e um dos últimos executivos de grandes empreiteiras a aderir à colaboração.

O empresário havia assinado um termo de confidencialidade, uma etapa inicial do processo de colaboração. Oficialmente, a procuradoria não confirma, mas o motivo da suspensão seriam vazamentos de informações da delação.

A decisão da PGR foi divulgada três dias após uma reportagem da revista Veja afirmar que Léo Pinheiro teria citado, nas negociações do acordo, o nome do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a revista, o executivo relatou que engenheiros da OAS teriam feito uma vistoria na residência de Toffoli, em área nobre de Brasília para resolver um problema de infiltração.

Toffoli teria contratado uma empresa indicada por Léo Pinheiro para fazer a reforma. A obra foi custeada com recursos do próprio ministro. Não há menção a pagamentos ilícitos a Toffoli. A reportagem da revista afirma não haver crime, aparentemente, mas insinua que seria intenção do empresário desenvolver um anexo da delação sobre o assunto.

A suspensão do acordo de delação premiada pode interferir no depoimento que Léo Pinheiro presta nesta quarta-feira (24) à Justiça Federal em Curitiba. Léo Pinheiro será interrogado na condição de réu em uma ação penal decorrente da 28ª fase da Lava Jato. Como delator, a intenção era colaborar com informações sobre o esquema de corrupção que envolve o ex-senador Gim Argello (PTB-DF). Com as negociações suspensas, é possível que o empresário permaneça em silêncio.

Léo Pinheiro já foi condenado pela Justiça Federal, em primeira instância, a 16 anos e quatro meses de prisão, acusado de cometer os crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Ele cumpre pena em prisão domiciliar.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal