Operação Lava Jato
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Atual presidente da Eletronuclear é afastado do cargo

O atual presidente da Eletronuclear, Pedro José Diniz Figueredo,  foi afastado do cargo, em decorência da Operação Pripy..

Jordana Martinez - 06 de julho de 2016, 14:00

O atual presidente da Eletronuclear, Pedro José Diniz Figueredo,  foi afastado do cargo, em decorência da Operação Pripyat, deflagrada hoje (6) pela Polícia Federal (PF). De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), as investigaçõea apontam que o atual presidente estava atuando em favorecimento pessoal e do ex-presidente, além de interferir em apurações internas de irregularidades na Eletronuclear.

"O ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro que se encontrava em prisão domiciliar, também teve sua prisão preventiva decretada diante da demonstração da manutenção de sua influência na estatal, que o auxiliou em sua defesa na ação penal em andamento contra ele na 7ª Vara Federal Criminal (Processo nº 0510926-86.2015.4.02.5101). O atual presidente da Eletronuclear, Pedro José Diniz Figueiredo, foi afastado de suas funções por haver evidências de que cometeu favorecimento pessoal em favor de Othon Luiz e interferiu no regular andamento das investigações internas que estavam sendo levadas a cabo por Comissão Independente de Investigação instituída pela Eletrobras", diz nota do MPF.

Procurada pela reportagem, a assessoria da Eletronuclear informou que não vai se manifestar sobre a operação.

Operação Pripyat

A Polícia Federal (PF) cumpre nove mandados de prisão no Rio de Janeiro e um em Porto Alegre em ação derivada da Operação Lava Jato. O ex-presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, é um dos alvos da chamada Operação Pripyat. Ele cumpre prisão domiciliar e é réu em processo na 7ª Vara Federal Criminal e foi preso em casa.

Também há três mandados de prisão temporária, nove de condução coercitiva e 26 mandados de busca e apreensão sendo cumpridos por 130 agentes federais. Além de Othon, seis funcionários da empresa, que integravam o núcleo operacional das fraudes, tiveram a prisão preventiva decretada e o atual diretor foi afastado por ordem judicial.

A ação, baseada em provas colhidas nas investigações referentes à construtora Andrade Gutierrez, na Operação Lava Jato, investiga desvios no setor elétrico. São investigados os crimes de corrupção, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro na construção da usina de Angra 3. O objetivo é desarticular a organização criminosa que atuava na Eletronuclear.

O nome da operação se refere à cidade ucraniana que se tornou uma espécie de “cidade fantasma” após o acidente nuclear em Chernobyl.

Delação

Em junho, o ex-presidente da Andrade Gutierrez, Rogério Nora de Sá, afirmou à Justiça Federal, que durante sua gestão na presidência da Eletronuclear, pediu “contribuição política” para o PT e para o PMDB e “contribuição científica”. Segundo Nora, que é um dos 11 delatores da empreiteira na Operação Lava Jato, Pinheiro pediu 1% para seus “projetos futuros”.

O ex-presidente da Eletronuclear, subsidiária da Eletrobras, é acusado de ter recebido propina de ao menos R$ 4,5 milhões da Andrade Gutierrez e da Engevix sobre contratos de obras da Usina de Angra 3. Othon Luiz teria recebido valores por meio de empresas intermediárias, segundo o Ministério Público Federal. O almirante é acusado de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, obstrução da justiça e organização criminosa. Othon foi preso na 16ª fase da operação Lava Jato, chamada de Radioatividade.