Operação Lava Jato
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Para confrontar delações, Lava Jato acumula 1,2 mil terabytes em dados

Thaissa Martiniuk e Narley Resende Cada etapa da maior investigação contra corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil com..

Narley Resende - 11 de janeiro de 2017, 11:00

Thaissa Martiniuk e Narley Resende

Cada etapa da maior investigação contra corrupção e lavagem de dinheiro no Brasil começa na sede da Policia Federal em Curitiba.

Lá começam as primeiras apurações da Lava Jato, com a tomada de depoimentos de investigados e análise de documentos. E nem só de delegados, procuradores e do juiz Sérgio Moro é que a Lava Jato sobrevive.

Por trás das 37 fases da operação nos últimos três anos, há uma equipe de peritos que trabalha para produzir provas que dão base a indiciamentos, denúncias e sentenças.

Atualmente, essa equipe é formada por 34 agentes públicos de diferentes áreas.

Eles se dividem para dar conta de centenas de laudos e perícias, que são produzidas todos os meses. Tudo é usado como meio de prova nos processos.

O chefe do Setor Técnico e Científico (Setec) da superintendência da Polícia Federal no Paraná, Fábio Salvador, diz que um dos pontos fundamentais do trabalho dos peritos é garantir a integridade das provas coletadas.

"Antes de a perícia produzir a prova técnica, tem uma etapa que é tão importante quanto que é garantir a cadeia de custódia da prova. Você tem que ter certeza. 'Cadeia de custódia' é nosso mantra aqui. Isso para a Justiça é muito importante porque você sabe que o que foi tirado da cena do crime está chegando íntegro para análise. Quando sai da gente nós entregamos em sacos lacrados. Isso transforma a prova em muito mais segura", garante.

Em linha reta, papéis ligariam Curitiba a Moscou

Desde março de 2014, a operação acumula um milhão e duzentos mil gigabytes em documentos coletados.

Esse volume é o equivalente ao encontrado em 250 milhões de livros digitalizados. Se as folhas de papel fossem empilhadas, a pilha teria 12.500 quilômetros. Mais do que a distância de Curitiba a Moscou, na Rússia.

A maior parte desse material foi encontrado durante o cumprimento de 730 mandados de busca e apreensão pela Polícia Federal.

Para dar conta da análise do volume de informações, os peritos da Polícia Federal tiveram de criar novos métodos de trabalhos e desenvolver ferramentas.

Uma novidade é o IPED (Indexador e Processador de Evidencias Digitais).

De acordo com Fábio Salvador, é um programa de computador que acelera o processamento de dados apreendidos pela Polícia Federal, identifica arquivos criptografados e traz uma economia de tempo e dinheiro em relação aos softwares disponibilizados no mercado.

Google da PF

"Organização das informações. É possível elaborar relatórios, fazer pesquisas mais aprofundadas. Imagina mais ou menos como o Google faz, vai jogando mais palavras chaves para chegar às coisas. Só que você não pode usar o Google para fazer isso".

Os peritos criminais também desenvolveram uma metodologia para analisar quadros apreendidos. Atualmente, a equipe faz a análise de mais de 250 obras de arte que podem esconder vestígios de crimes de lavagem de dinheiro.