Operação Lava Jato
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38ª fase da Lava Jato mira operadores do PMDB

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (23) a 38ª fase da Operação Lava Jato, chamada Operação Blackout. Sã..

Mariana Ohde - 23 de fevereiro de 2017, 08:35

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (23) a 38ª fase da Operação Lava Jato, chamada Operação Blackout. São 15 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva, no Rio de Janeiro (RJ). Os principais alvos são Jorge Luz, um dos principais operadores financeiros ligados ao PMDB, e seu filho Bruno Luz. Ambos são investigados por corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

Os investigados atuavam, segundo a PF, como facilitadores na movimentação de recursos pagos a integrantes das diretorias da Petrobras.

Jorge Luz foi citado, em dezembro de 2015, em depoimento de Nestor Cerveró: "O Jorge Luz era um operador, foi um operador muito atuante na Petrobras, que inclusive foi sócio do João Augusto no passado, eles são até, não tenho certeza, mas eles têm uma relação de … um é padrinho do casamento do outro, não sei exatamente, acho que o Jorge Luz é padrinho de um dos casamentos do João Augusto. Eles tinham uma relação muito próxima. Então o Jorge Luz foi quem divulgou junto a esse grupo, as … vamos chamar assim, as vantagens que poderiam advir da diretoria internacional. Eu conheci o Jorge Luz … uma informação adicional, o Jorge Luz foi quem fez a operação da transferência desses 6 milhões de dólares que eu me referi, de apoio ao PMDB". Seu nome também foi incluso no inquérito-mãe da Lava Jato no ano passado, quando houve a divisão de um dos maiores inquéritos da operação por ordem do então ministro e relator Teori Zavascki, morto em janeiro.

Blackout é uma referência ao sobrenome dos operadores financeiros e simboliza a interrupção da atuação. Os presos devem ser levados à Superintendência da PF em Curitiba.

Investigações

A pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal do Paraná (MPF-PR), a Polícia Federal (PF) cumpriu os mandados de prisão preventiva e busca e apreensão expedidos pelo juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Segundo os MPF, os alvos,  Jorge e Bruno Luz, são investigados por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, suspeitos de intermediar propina de forma profissional e reiterada na diretoria Internacional da Petrobras, com atuação também nas diretorias de Serviço e Abastecimento da estatal.

Os pedidos protocolados pela força-tarefa em Curitiba tiveram como base principal os depoimentos de colaborações premiadas reforçados pela apresentação de informações documentais, além de provas levantadas por intermédio de cooperação jurídica internacional. De acordo com o MPF-PR, os dois alvos das prisões desta quinta-feira são suspeitos de utilizar contas no exterior para fazer repasse de propinas a agentes públicos. Entre os contratos da diretoria Internacional, os alvos são suspeitos de intermediar propinas na compra dos navios-sonda Petrobras 10.000 e Vitória 10.000; na operação do navio sonda Vitoria 10.000 e na venda, pela Petrobras, da Transener para a empresa Eletroengenharia.

Além disso, esporadicamente os investigados atuavam também em outras diretorias da Petrobras. Na área de Abastecimento, as investigações identificaram a participação deles na intermediação de propinas no contrato de aluguel do terminal de tancagem celebrado entre a Petrobras e a empresa Trafigura, e no contrato de fornecimento de asfalto com a empresa Sargent Marine. Também foi identificada atuação dos investigados no pagamento de propinas para Pedro Barusco, ex-gerente da diretoria de Serviços, decorrente de contratos celebrados com a empresa Sete Brasil para exploração do pré-sal.

Para realização dos pagamentos de propina de forma dissimulada, os alvos desta nova fase utilizavam contas de empresas offshores no exterior. No decorrer das investigações foram identificados pagamentos em contas na Suíça e na Bahamas.

Conforme o procurador da República e integrante da força-tarefa Lava Jato do MPF-PR, Diogo Castor de Mattos, "as prisões foram decretadas para garantia de ordem pública e para assegurar a aplicação da lei penal, tendo em conta a notícia que os investigados se evadiram recentemente para o exterior, possuindo inclusive dupla nacionalidade".

Na decisão em autoriza a deflagração desta fase, o juiz federal Sérgio Moro destacou que “o caráter serial dos crimes, com intermediação reiterada de pagamento de vantagem indevida a diversos agentes públicos, pelo menos dois diretores e dois gerentes da Petrobrás, em pelo menos cinco contratos diferentes da Petrobrás, aliada à duração da prática delitiva por anos e a sofisticação das condutas delitivas, com utilização de contas secretas em nome de off-shores no exterior (cinco já identificadas, sendo quatro comprovadamente utilizadas para repasses de propinas), é indicativo de atuação criminal profissional”.

Ainda em seu despacho, o magistrado reforçou que, caso confirmada a evasão dos investigados para o exterior, em virtude dos alvos terem dupla nacionalidade, seja realizada a inclusão do nome dos investigados no rol de foragidos internacionais da Interpol.