Operação Lava Jato
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PF faz busca nas casas de ministro do TCU e de ex-presidente da Câmara

O ministro do Tribunal de Contas da União e ex-senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e o deputado federal Marco Maia (PT-RS) s..

Narley Resende - 05 de dezembro de 2016, 11:06

O ministro do Tribunal de Contas da União e ex-senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e o deputado federal Marco Maia (PT-RS) são alvos de um desdobramento da Operação Lava Jato, que investiga o pagamento de propina por empresários para evitar convocação à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras em 2014.

Estão sendo cumpridos nove mandados judiciais em Brasília (DF), Paraíba e Rio Grande do Sul nos endereços pessoais, funcionais e empresariais relacionados a Marco Maia (ex-presidente da Câmara) e Vital do Rego, respectivamente, relator e presidente CPMI da Petrobras, instalada em 2014.

A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal e Receita Federal do Brasil, deflagrou hoje (5) a Operação Deflexão que tem como objetivo o cumprimento de mandados expedidos pelo ministro Teori Zavascki do Supremo Tribunal Federal, referentes ao inquérito 4261 instaurado no âmbito da Operação Lava Jato.

O inquérito apura se parlamentares teriam solicitado a empresários contribuição financeira para que não fossem convocados a prestar depoimento na CPMI. Os executivos afirmam ter repassado valores superiores a R$ 5 milhões para evitar retaliações e contribuir para campanhas eleitorais.

Em setembro, o sócio da OAS Léo Pinheiro, que está preso, admitiu ao juiz Sergio Moro que pagou cerca de R$ 3,8 milhões para abafar as investigações da CPI da Petrobras, em 2014.

Os pagamentos, segundo o empreiteiro, foram feitos a Rêgo, Maia e ao ex-senador Gim Argello (ex-PTB), preso pela Lava Jato em abril.

Segundo o empreiteiro, Maia e Rêgo disseram que poderiam adiar requerimentos e controlar o calendário da investigação, além de impedir a convocação de determinados empreiteiros.

Em razão das mesmas irregularidades, Gim Argello, vice-presidente da CPMI à época, foi condenado a 19 anos de reclusão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro pela 13ª Vara Federal de Curitiba.

O nome da operação faz referência ao verbo defletir, que significa provocar mudança ou alteração no posicionamento normal de algo. Uma alusão ao fato de que, mediante propina, empreiteiros investigados passaram à condição de blindados de uma eventual responsabilização.