Revista revela conteúdos da delação de Léo Pinheiro

Roger Pereira


Em sua edição que chega às bancas neste sábado, a revista Veja traz o conteúdo de sete anexos da delação agora suspensa de Léo Pinheiro, da OAS, anulada pela PGR. O documento menciona Lula, a campanha à reeleição de Dilma e ainda Aécio Neves e José Serra. Lula é retratado como um presidente corrupto que se abastecia de propinas da OAS para despesas pessoais, e como o verdadeiro dono do triplex no Guarujá. Pinheiro soube, por intermédio do então tesoureiro do PT João Vaccari, que o ex-presidente teria interesse em ficar com o imóvel e que “ficou acertado com Vaccari que esse apartamento seria abatido dos créditos que o PT tinha a receber por conta de propinas em obras da OAS na Petrobras”. Sobre o sítio em Atibaia, Pinheiro conta que foi chamado por Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, para uma reunião com o ex-presidente e que, no encontro, o petista pediu que ele ajudasse na reforma. Como no caso do triplex, ficou subentendido que a conta-propina do PT pagaria as despesas.

Outro ponto referente ao ex-presidente citado por Pinheiro e revelado por Veja é sobre as palestras de Lula. Em 2011, a OAS se preparava para fazer aporte empresarial privado na Costa Rica para influenciar tais negócios. O empreiteiro então solicitou que Paulo Okamotto incluísse no roteiro de Lula, que estava indo para a América Central, uma palestra no país, com o objetivo de influenciar as autoridades locais em prol de negócios da OAS, pagando para isso R$ 200 mil a Lula. O empreiteiro também afirma que Okamotto solicitou em 2010 que fosse custeada a armazenagem de uma grande quantidade de bens pessoais de Lula. O valor mensal era de R$ 21,5 mil, totalizando mais de R$ 1 milhão em 2016, data de vencimento do contrato.

Outros anexos

Na mesma matéria, a Veja relata que Léo Pinheiro contou que a OAS deu R$ 710 mil para o caixa dois da campanha de Dilma em 2014, dinheiro repassado por meio da agência de publicidade Pepper. Sobre os tucanos, o executivo relatou ter pago 3% de propina sobre o valor de R$ 1,2 bilhão destinado a obras na sede do governo mineiro, dinheiro entregue a Oswaldo Borges da Costa Filho — segundo o empreiteiro, “operador de Aécio Neves”. No caso de José Serra, as revelações remontam ao período em que ele era governador de São Paulo. Pinheiro revelou como funcionava o cartel das empreiteiras que dominava as obras do Rodoanel Sul, no valor de R$ 5 bilhões. As empreiteiras pagavam 5% de propina ao diretor estadual de Transportes de SP, Dario Rais Lopes, e ao diretor de engenharia do órgão, Mario Rodrigues.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal