A miséria do toma-lá-dá-cá na visão do senador Oriovisto Guimarães

Pedro Ribeiro

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O povo brasileiro já anda por demais sofrido e castigado pelo abandono. O brasileiro não quer muito. Apenas ser reconhecido, valorizado e que não lhe surrupiem sua autoestima e o suado dinheiro do imposto que paga. Ele quer, também, que o governante tenha o essencial, tudo o que o país mais precisa na política, ou seja, honestidade, compromisso com a ética e a verdade e respeito pela cidadania.

Mas, o que estamos vendo, hoje, não é nada disso. Jair Bolsonaro vem dando um péssimo exemplo aos brasileiros que depositaram confiança e os elegeram presidente da Nação com base em promessas e propostas de acabar com a sacanagem que há anos roubam o país. O que ele está fazendo agora, com a compra de votos no Congresso Nacional é uma prática delinquente de fisiologismo criminoso. E ele vem fazendo isso com orgulho e soberba.

O senador paranaense, Oriovisto Guimarães, que chegou ao Congresso Nacional com energia e propósitos de mudança, de colaboração com as instituições democráticas para que o país alcance seu lugar junto às nações desenvolvidas, parece que também está desiludido. Ele está no palco da comédia de horrores e não suporta o papel. Em artigo especial ao Paraná Portal, ele conta o que está acontecendo no País e o que ele queria para o povo e à nação. O pior: antecipa cenas mais deprimentes que estão para serem apresentadas (Pedro Ribeiro)

ARTIGO: SENADOR ORIOVISTO GUIMARÃES (PODEMOS)

Política, hoje, no parlamento brasileiro, é feita com base no mais explícito toma-lá-dá-cá que já existiu em toda a história da República.

Apenas nos últimos dias, foram distribuídos R$3.000.000.000,00 (três bilhões de reais) em forma de emendas que beneficiaram diretamente 250 deputados e 35 senadores, além de muitos cargos e de uma possível reforma ministerial muito em breve.

Tudo para que os candidatos à presidência do Senado e da Câmara, apoiados por Bolsonaro, vençam as eleições.

Na política atual já não existem mais ideal, programas partidários, pensamento estratégico de longo prazo preocupado com o futuro do Brasil, de nossos filhos e netos.

Hoje o PT apoia o candidato de Bolsonaro para presidente do Senado.

O MDB comete traição explícita contra Simone Tebet, candidata do próprio partido, em troca de cargos na Mesa Diretora.

Imagine por um momento que a maioria dos homens e mulheres esquecessem o amor desinteressado e se relacionassem apenas por interesse!

Teríamos, sem dúvida, um mundo horroroso. Um mundo sem poesia, sem caridade, sem ideais, sem preocupação com o bem comum. Um mundo onde seria muito triste viver.

Pois posso lhes dizer que hoje é muito triste ser Senador da República. O espetáculo é dantesco.

Se olharmos um pouco para a frente, o que teremos será um parlamento sem independência, servo do Poder Executivo.

A própria democracia brasileira estará irremediavelmente comprometida.

Em outubro próximo, com a aposentadoria do ministro do STF, Marco Aurélio Mello, Bolsonaro terá maioria no STF (6×5), então, em vez de três Poderes independentes, teremos um Poder Executivo hipertrofiado.

Nosso destino como nação estará, quase que totalmente, nas mãos de um único homem. O sistema de pesos e contrapesos, que sustenta o regime democrático, estará comprometido.

Se o Brasil for conduzido por esse homem da mesma forma como ele tem nos conduzido para enfrentar a pandemia do coronavírus, então será melhor, para a felicidade geral da nação, que a sociedade civil organizada, pacificamente, se manifeste, e que seu clamor seja ouvido por aqueles que só pensam em seus próprios interesses e ocupam nossos Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Senador Oriovisto Guimarães, PODE-PR

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