Carta humorada à ministra (de um homem agradecido)

Pedro Ribeiro

Por Alceo Rizzi

Em tempos de encontros e desencontros na política nacional, a ministra Dalmares Alves, que está no olho da mídia, tem sido fonte inspiradora para deliciosas crônicas de escritores e cartunistas, além de pitacos bizarros do maior esculhambador da República, Zé Simão. Dalmares Alves inspirou também o jornalista, publicitário e escritor paranaense, Alceo Rizzi, autor de Nego Mico-Zé Pavão Outros Aloprados, livro a venda nas lojas e site da Livrarias Curitiba.

Ele veste azul e ela rosa. Veja a crônica:

Não há nada mais constrangedor na vida de um casal, e suspeito que isso aconteça independentemente dos gêneros, quando quem faz o papel feminino encara o parceiro com o rosto contrafeito e diz a fatídica sentença: “precisamos conversar”. Coisa boa, assunto leve, com certeza não é. Não existe outra coisa que deixe o homem mais angustiado e incomodado que isso, ele sabe que vem bucha, tudo que lhe vem à cabeça é “como vou escapar dessa”.
Quando a mulher dá o aviso, mesmo na frente de filhos menores que estejam por perto, tudo o que o marmanjo faz é se garantir que eles não o deixem só neste momento. Puxa conversa com o mais novo, se tiver bebê na família já o pega no colo, faz bilu-bilu, psiu psiu, tenta arrancar algum sorriso do rebento.
A mulher, só observa, nem desconfia, já sabe que ele está fugindo. Se o filho for um pouco maior, já puxa conversa fiada sob o olhar contrariado da companheira, ele faz de conta que nem percebe vai esticando o monólogo, não dá espaço para mais ninguém falar..
Tudo o que mais quer no momento é evitar a conversa porque sabe que imediatamente após do aviso da mulher, vem sempre na sequência a inevitável e mortífera frase determinada pela companheira; “precisamos discutir a relação”. Esse é o conhecido epílogo do aviso inicial que neste momento o homem pagaria por qualquer outra grande penitência se pudesse evitar.
Homem não tem jeito para essas coisas, mesmo tendo a consciência tranquila de não ter cometido nenhum deslize.
Alguém conhece algum homem – homem mesmo, sem alma feminina – que tenha procurado a mulher para falar dessa maneira, que quer discutir a relação do casal ?
Ah, não combina!
Mas não combina mesmo!
Só acontece quando ele quer cair fora do relacionamento, aí sim, alguns até vão levando em banho-maria, mas sempre com o espírito armado se esgrimindo para evitar a conversa com a patroa.
O homem tem um sentido velhaco, cínico e dissimulado que só ele domina, as mulheres, com raríssimas exceções, não possuem essas virtudes masculinas. Quando a conversa que ela pretende se torna inevitável por algum tropeço, ele adota indignação impávida e ela aos poucos desaba em choro que se torna compulsivo.
Ufa!!
É sinal que o pior do tormento já está passando!
Mas ainda é preciso ter paciência e cautela.
Não falar muito, de vez em quando soltar algum murmúrio eventual que transite entre culpa, arrependimento e incompreensão sobre o redemoinho tempestuoso formado, mas sempre a deixando dúvida no ar. Se ficar calado, mudo, melhor ainda, apenas menear de vez em quando a cabeça de acordo com a intensidade do turbilhão.
Homem treinado para o papel, exerce sempre o domínio e o controle de macho alfa. A mulher, em sua delicadeza e sensibilidade, após desabafo copioso, haverá de compreender, esses são os desígnios da natureza humana. É por isso que ele está no topo da cadeia alimentar e do reino animal.
Por isso, convenhamos, ele veste azul e ela veste rosa..


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