A China e o Ocidente

Renato Follador


Os sindicatos odeiam a palavra flexibilização.

Não perceberam que o mundo, o mercado e as relações mudam diariamente graças ao furacão tecnológico.

Quando se fala em emprego temporário, trabalho nos fins de semana, trabalho sob demanda, tratam de se agarrar às cláusulas pétreas da Constituição. Aliás, pétreas porque os constituintes de 1988 jamais poderiam imaginar a realidade de hoje.

Dificultar e encarecer mais o emprego é não perceber que não existe mais emprego, mas trabalho.

Enquanto dificultamos as contratações, quem trabalha sem parar, sem exigências laborais, são os chineses.

Um determinado produto que o Brasil fabrica um milhão de unidades, uma só fábrica chinesa produz quarenta milhões, com preços que são uma fração dos praticados aqui.

Um chinês ganha de salário mínimo 100 dólares. Um operário brasileiro equivalente 300 dólares que, acrescidos de impostos e benefícios, representam quase 600 dólares.

Benefícios e horas extraordinárias na China? Esqueça. O pessoal por lá é tão agradecido por ter um emprego que trabalha horas extras de graça. Perceberam que tudo hoje é Made in China.

Os chineses estão tirando proveito da visão curta dos sindicatos e de curto prazo dos produtores ocidentais, que preferem terceirizar a produção, ficando apenas com o que ela “agrega de valor”: a marca, a grife. Resultado: os parques industriais do Ocidente estão desmoronando.

Há 200 anos, Napoleão Bonnaparte fez uma profecia: “deixem a China dormir porque, quando ela acordar, o mundo vai estremecer”.

Pois, acordou. E quem tem o monopólio da produção, dita as leis de mercado.

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