A morte do jovem e do velho

Renato Follador


Prancheta 2

 

 

Lidando com a terceira idade, tenho a oportunidade de conversar com idosos de diferentes classes sociais, formações acadêmicas e visões de vida.

Um tema comum a todos é a preocupação com ter renda para poder viver como sempre viveu e a outra é a morte. Sim, a morte, porque todos, sem exceção, preocupam-se como e quando será essa transição para o desconhecido e como ficarão os seus, após sua partida.

Falando sobre a morte, dia desses, conversando com um idoso, refletimos que a morte de um jovem é como um fogo apagado com água, enquanto a morte de um idoso se assemelha a uma brasa que suavemente se extingue.

Os frutos verdes só podem ser arrancados à força da árvore que os carrega, enquanto os frutos maduros, ao contrário, caem naturalmente.

Por isso, quando inverte-se a ordem natural, quando a vida é arrancada à força de um jovem, fica uma revolta sufocada dos que ficaram, diferente quando a vida é arrancada aos poucos de um velho.

A morte de um idoso é como uma partida de um navio levando alguém que nos foi caro a um porto seguro; a morte de um jovem como a partida para sempre de um navio ao desconhecido.

Mas, se é possível um consolo, aqueles que amamos nunca morrem dentro de nós, apenas partem ou chegam antes de nós.

Partiu o Levi Mulford da Tribuna, jornalista integro, competente e humano, que junto como Irineu Horbatiuk foram dois melhores homens que conheci. Jornalistas com J maiúsculo.

 

 

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