Ainda Estamos Vivos

Renato Follador


Em tempo de pandemia, sabe, amigo, aquela história de que o tempo passa, o tempo voa? Pois penso que é diferente: não é o tempo que passa; nós é que passamos. A vida é que é efêmera, fugidia, embora muitos a vivam como se fossem eternos. Talvez pela tendência que temos de não querer pensar na morte. Mas ela é inevitável.

Agora, não acho que devamos ter medo dela. Devemos, sim, ter medo de não aproveitar a vida até o dia de partirmos.

E, falando nisso, hoje é o primeiro dia do resto da tua vida. Hoje começa o teu futuro, e é nele que você vai viver o tempo que te resta.

Por isso, primeiro abra um sorriso por te obrigarem a ficar em casa, por poder ter mais tempo para dar o abraço num filho, um beijo no companheiro. Pense que basta levantar a cabeça para ver a maravilha de um pôr do sol, das árvores balançando numa valsa sublime no ritmo do vento.

Lembre que basta telefonar, que logo virá aquele amigo que te faz rir e que tem uma orelha de elefante para ouvir tuas reclamações e lamentos e, claro, te dar sempre a razão.

Pois é, a vida poderia ser muito melhor vivida se nos lembrássemos sempre de que ela é aqui e agora.

Como dizia Chaplin, a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.

Renato Follador

Previous ArticleNext Article