Ciência da nossa ignorância

Renato Follador


Se fosse possível, hoje, colocar um universitário recém-formado diante das mais brilhantes inteligências do Iluminismo do século XVIII, não tenho dúvida de que eles ficariam assombrados com o conhecimento do estudante.

A ciência e a tecnologia estão presentes e disponíveis às atuais gerações, algo que era restrito aos iniciados daquela época.

Por outro lado, isso não significa que tenhamos evoluído em respostas definitivas às dúvidas que nos atormentam desde o início dos tempos. A principal descoberta depois de um século de pesquisas é a profundidade de nossa ignorância. As certezas crescem, em número, menos que as incertezas.

Somos cada vez mais cônscios do infinito do nosso desconhecimento, embora aprendamos algo novo todos os dias.

A mais vasta parcela do que sabemos é menos que a mais diminuta parcela do que ignoramos.

Entretanto, não há como voltar atrás, não há nem como parar de aprender.

A formação educacional não termina mais com o canudo da primeira faculdade, assim como não tem cadeira cativa o executivo que conseguiu sentar atrás da mesa de CEO de uma grande multinacional.

Da mesma forma, as férias permanentes não começam com a aposentadoria. Isso, se você, amigo ouvinte, quiser viver muito.

Tenho certeza de que só há um jeito de não abreviar a vida: não parar.

Não parar de estudar, não parar de aprender, não parar de trabalhar, não parar de sonhar.

Não só para se manter competitivo, mas para se manter vivo.

 

 

 

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