Dr. José May

Renato Follador


Quando morre um idoso, uma biblioteca se incendeia.

Não se sabe ao certo a origem do provérbio. Uns dizem que é chinês, outros hindu.

A verdade é que a sabedoria oriunda do conhecimento somada ao experimento de uma vida longa deveria poder ficar detalhadamente registrada para a posteridade.

Infelizmente, com a morte dos idosos, perde-se a oportunidade de um aprendizado único.

Com a COVID muitas são as famílias que viram suas bibliotecas incendiadas.

E existem cidades que viram sua biblioteca incendiada.

Morretes, perdeu esta semana o Dr José Ramos May. Ninguém pode dizer-se morretense sem ter passado por ao menos uma consulta com ele.

Cirurgião, clínico geral, pediatra, dizem que metade da cidade nasceu por suas mãos, em seus quase 90 anos de vida. Acredito.

Figura carismática, bondosa e simples, conduta extraordinária, mostrava um rosto sisudo no início para logo na primeira frase tornar-se uma simpatia de pessoa.

Mais que médico de seus pacientes, tornava-se um verdadeiro amigo.

Nunca quis deixar sua bucólica Morretes. Nenhuma proposta o seduzia. Nem dinheiro. Nem fama.

O respeito que inspirava no mais humilde até no mais privilegiado morador era admirável.

Poucos seres humanos podem se dar ao luxo de continuarem vivos depois da morte.

Pois o Dr. José estará sempre vivo na mente e no coração daqueles que com ele conviveram.

Sua história não acabou, pois, com certeza, seu exemplo inspirou outros que continuarão seu trabalho. Mas ele foi único!

 

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