Imortalidade

Renato Follador


Prancheta 1
O brilhante Jorge Luiz Borges relata em seu livro “Aleph” uma imaginária tribo no Egito antigo, próximo do fim do mundo conhecido, em que os homens tornavam-se imortais após beber a água do rio que cortava a região.
Fizessem o que fizessem não morreriam e já estavam cansados de fazer as mesmas coisas repetidamente por séculos que nada mais lhes despertava o menor interesse. Após relatar o tedioso dia a dia deles, convivendo sempre com as mesmas pessoas, constatou que não havia objetivos, nem uma razão para levantar todos os dias.
Porém, disse que seria pior ser um único imortal no meio de mortais. Já imaginaram sobreviver à morte de um filho, do cônjuge, de um amigo e ter que recomeçar sempre a fazer novas relações sabendo que elas um dia acabariam e você voltaria a ficar sozinho? Pior, a eternidade pressupõe a irresponsabilidade, afinal sendo bom ou ruim, fazendo o bem ou o mal, sabe-se que isso pouco importará, pois continuará sendo imortal.
Acaba a ética, a virtude, a moral e todo avanço social delas resultante.
Pois é, esse texto brilhante do escritor nos faz refletir que ser mortal é a melhor das opções e que a longevidade é mais importante que a eternidade.
Assim, vamos comemorar poder viver mais.
Pela primeira vez na história da humanidade podemos sonhar com 1/3 de vida após a idade da aposentadoria.
Pergunta: o que você está fazendo para ter, sem trabalhar, dinheiro para viver bem 30 anos?

 

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