Lolô Cornelsen

Renato Follador


Me perguntaram qual o melhor período da vida.

Que dúvida! Todos têm vantagens e desvantagens.

O vigor físico, a liberdade e a ausência de responsabilidades da juventude convivem com a falta de conhecimento, de dinheiro e de experiência.

Os estudos concluídos e a empregabilidade do homem maduro são acompanhados da competição no trabalho, da falta de tempo, das responsabilidades com a família e dos compromissos financeiros.

O tempo livre, a experiência e o dinheiro da terceira idade trazem junto a falta de vigor físico, a sensação de inutilidade e a suscetibilidade a doenças.

Mas, pensando bem, escolho a terceira idade como o melhor período da vida.

É que as desvantagens desta dependem só da mentalidade do idoso.

Se ele tiver boa cabeça, vai fazer exercícios, buscará novos desafios e objetivos, terá atividades prazerosas e tempo para realizá-las- ah, essa benção chamada tempo- e aí a chance de adoecer será muito menor.

Já o jovem, não adianta ter boa cabeça e tempo, se ainda não tem estudo e dinheiro. Nem o homem maduro adianta ter boa cabeça, educação e dinheiro, se não tem tempo de usufruir de tudo isso.

Olha, aposentar-se pode ser muito bom! Basta preparar-se e manter-se jovem, de cabeça.

Na semana passada, faleceu o meu tio, o Lolô Cornelsen, aos 97 anos.

Arquiteto renomado internacionalmente, seu maior talento era a juventude na forma de pensar, de projetar, de se relacionar com as pessoas e de viver sempre intensamente. 

Sempre tinha uma razão para levantar de manhã.

Que exemplo!

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