O dia que caí

Renato Follador


Na varanda, um adolescente pergunta o que o avô aprendeu na vida.

O avô responde não o quê, mas quando!

Foi naquele dia que tomei um tombo na vida.

Aprendi que para olhar o mundo é preciso estar no chão. Eu só o conhecia do alto da minha arrogância, pois tinha um ego muito maior que eu.

Descobri que na altura da minha ignorância enxergava todos menores e piores que eu, pensando que sabia muito mais que eles, quando na verdade, a sabedoria tem como professora a humildade e como professor o respeito.

Que o difícil não é chegar lá em cima, mas ter a coragem, quando cair, de recomeçar a subida com o mesmo entusiasmo. Vi que na luta pelos meus objetivos, o maior era lutar. E que são os caminhos sofridos que nos domam, nos amadurecem e nos forjam fortes.

Aprendi que só aquele que cai pode dar aos demais o edificante exemplo de se levantar. E que as palmeiras altas e eretas nos dão uma lição de dignidade e postura diante das intempéries da vida.

Que de nada serve ter luz própria se não posso iluminar o caminho dos demais. E que para multiplicar o pão de cada dia, é preciso dividi-lo.

E, desde aquele dia, não vivo mais para ser o melhor ou ganhar e sim para respeitar, para perdoar, para ajudar os caídos a se levantar.

 

 

 

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