O ponto de mutação

Renato Follador


Fritjof Capra escreveu um livro fantástico: “O Ponto de Mutação”.

Nele, aborda a visão oriental do ritmo fundamental do universo equilibrados nos dois polos arquetípicos- o yin e o yang, da importância da parte e do todo, da visão sistêmica e holística, e, ainda, da interação entre corpo e alma.

Já os ocidentais, após René Descartes, passaram a acreditar que a chave da compreensão do universo é sua estrutura matemática. A visão cartesiana, mecanicista e reducionista, nos fez ver o mundo como, por exemplo, um relógio que, quando funciona mal, basta trocar a peça defeituosa. Enxerga-se só a parte e não o todo. Isso influenciou as ciências e a medicina de tal forma que o corpo humano passou a ser visto como uma máquina e a doença como mau funcionamento de um órgão defeituoso, necessitando-se tratá-lo ou extirpá-lo.

Perdeu-se a visão holística e chegou-se à especialização extrema. Existem especialistas em joelho, mas só esquerdo. Desapareceram, aqui, os clínicos gerais; os médicos de corpo e alma.

Segundo Capra, quando extirpamos um câncer num órgão, tratamos a consequência, mas não a causa, que muitas vezes é emocional, sedimentada numa mágoa, raiva ou tristeza profunda. A visão do todo é deixada de lado no diagnóstico e na cura.

Na vida e na velhice erramos igual: cuidamos do financeiro, mas, às vezes, esquecemos do físico, do mental e do emocional, ou vice e versa..

 

 

 

Acompanhe meus comentários diários também nas redes sociais @orenatofollador e nos Podcasts da Apple, Spotify e Deezer.

Previous ArticleNext Article