Pobres mais probres

Renato Follador

Coloco aqui meus 32 anos de experiência e estudos sobre previdência e finanças para esta afirmação: a reforma da previdência é vital para o equilíbrio e crescimento econômico do Brasil.
Um déficit previdenciário que se repete e cresce sistematicamente há 23 anos não é um problema conjuntural, mas estrutural.
A razão dele está na inexistência de uma idade mínima para se aposentar. Na média, jovens de 54 anos de idade se aposentam e recebem 30 anos de aposentadoria do INSS. O déficit está assentado, também, na demografia, sobre a qual temos cada vez menos controle. Do lado dos nascimentos, pela diminuição do número de filhos e, do lado da longevidade, pelo aumento substancial dela pelos avanços da tecnologia na medicina e na produção de alimentos e medicamentos.
Mesmo a favor não comungo com as mentiras que o governo diz sobre a reforma.
Uma delas: que os mais pobres serão os menos afetados. Hoje, as aposentadorias por idade, aquelas dos menos abastados e pior empregados, são aos 65 anos para o homem e 60 para a mulher. Além disso, 15 anos mínimos de contribuição. E o cálculo é 70% mais 1% por ano trabalhado. Assim, o aposentado já sai ganhando 85% da média dos 80% melhores salários.
Com a reforma terá que trabalhar 5 anos a mais e vai receber menos. Vai receber 60% da média de todos os salários. E, como entram no cálculo os 20% piores, a média diminui. Uma perda de mais de 30% em relação a hoje.

Por Renato Follador,
Consultor em Previdência e Finanças.

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