Prazer

Renato Follador


Coisas nos trazem prazer, não felicidade.

Um amigo meu, muito bem de vida, me falava da felicidade de dirigir seu Porsche novo. Logo depois, começou a choramingar que tinha discutido com seu filho, que o rapaz não lhe havia perdido perdão e que enquanto não o fizesse não falaria mais com ele. Isso o estava incomodando muito, pois há um mês não se falavam.

Que lugar comum não é? Quantas famílias não têm a mesma situação!

Encontramos prazer em comprar um smartphone novo, com novas funcionalidades. Encontramos prazer em dirigir o carro novo, em fazer aquele cruzeiro programado, em assistir um filme numa TV que nem cabe na parede, mas felicidade, ah isso é algo muito mais complexo e completo e as pessoas não entendem, mesmo nos dias de hoje.

Ela está nas coisas mais simples e que não se pode comprar: no sorriso de um filho, no abraço de uma mãe, na reunião da família, no encontro com os amigos, na paz de observar a natureza, no silêncio depois de uma conquista, incrivelmente sem custar nada.

As distrações que a tecnologia colocou em nossas vidas, através das coisas avançadas que produziu, chamou nossa atenção para o ter ao invés da atenção no ser. Inclusive no ser humano.

Nos trouxe ainda uma insaciabilidade permanente, que nos rouba energia e tempo, este o bem mais precioso do mundo.

Por isso, não espere ter tudo para aproveitar a vida. Você já tem a vida para aproveitar tudo, especialmente para ser feliz.

 

 

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