Seja borboleta

Renato Follador

Rudolf Steiner, pai da antroposofia, disse que as borboletas são flores que se desprenderam da terra e que as flores são borboletas que a terra apreendeu.
Seja como for, se as flores marcam a primavera, as borboletas são seu símbolo e quatro fases de uma mesma vida: ovo, lagarta, crisálida e borboleta.
Enquanto ovo, é princípio vivo, potencialidade do ser.
Mas, num determinado momento, torna-se necessário romper com essa capa de proteção, para caminhar com as próprias pernas.
Já a lagarta, que sucede o ovo, tem o aprendizado da terra, do rastejar, das coisas que se processam lentamente. Simboliza os cuidados com o mundo físico, os aspectos materiais que compõem a existência cotidiana. O lado pesado da vida.
A crisálida é o encapsular para gestar. É como se retornasse ao estágio do ovo, só que por escolha pessoal, interiorizando-se para voltar a contatar com seus mais íntimos sentimentos e aspirações.
E, finalmente, as asas libertam a borboleta, que precisou superar o conforto e a comodidade do já conhecido, deixando morrer o velho, e partindo ao encontro das possibilidades, sem garantias ou certezas.
A borboleta é a lição viva da vitória e de que tudo é passageiro. Como nós.
Uns vivem para sempre no ovo, outros jamais passam de lagarta e tem gente que vive gestando um sonho, um ideal, sem nunca realizá-lo. Mas existem aqueles que, com esforço, desapegam-se do velho, se libertam e ganham asas.
Viver é cumprir fase por fase.
Pense nisso.

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