Sobre a morte

Renato Follador


Lidando com a terceira idade, tenho a oportunidade de conversar com idosos de diferentes classes sociais, formações acadêmicas e visões de vida.

Um tema comum a todos é a preocupação com ter renda para poder viver como sempre viveu. A outra é a morte. Sim, especialmente neste momento, mas porque porque todos, sem exceção, preocupam-se como e quando será essa transição para o desconhecido e como ficarão os seus, após sua partida.

Falando sobre a morte, dia desses, conversando com um idoso, refletimos que a morte de um jovem é como um fogo apagado com água, enquanto a morte de um idoso se assemelha a um fogo que transformado em brasas suavemente se extingue. 

Os frutos verdes só podem ser arrancados à força da árvore que os carrega, enquanto os frutos maduros, ao contrário, caem naturalmente.

Por isso, quando inverte-se a ordem natural, quando a vida é arrancada à força de um jovem, fica uma revolta sufocada dos que ficaram, diferente de quando a vida é arrancada aos poucos de um velho.

A morte de um idoso é como a partida de um navio levando alguém que nos foi caro e que vai desaparecendo no horizonte; a morte de um jovem como a partida de alguém que amamos num navio que, adiante, vemos naufragar antes de chegar ao horizonte.

Um, uma viagem sem volta, outro, uma tragédia.

Fica somente o consolo de que aqueles que amamos nunca morrem dentro de nós, apenas partem antes de nós.

 

 

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