TALVEZ

Renato Follador

Talvez eu seja ouvido na reforma da previdência, talvez eu passe despercebido.

Talvez eu tenha ainda a missão de trazer mais conhecimento, conscientização e motivação para as pessoas pensarem e construírem um futuro melhor, talvez meu trabalho tenha terminado.

Talvez eu ainda veja um país forte economicamente, justo socialmente, com as pessoas tendo a dignidade do emprego e uma razão para levantar todos os dias, talvez eu continue vendo a polarização ignorante que não dá espaço para um primeiro passo no sentido da aproximação e de um aperto de mão.

Talvez eu continue tendo vergonha de ser desta nação onde levar vantagem e passar o outro para trás é esperteza e fazer o certo é ingenuidade, mas talvez eu ainda veja os produtos serem deixados na calçada para serem comprados e devidamente pagos, pois a polícia estará na consciência de cada um e não na pessoa de um policial.


Talvez eu veja cidadãos instruídos parando de comprar a prazo algo que não precisam, com um dinheiro que não tem para impressionar outrem. Mas talvez, continue a atender endividados, desesperados que perdem boa parte da vida sem dormir pensando em pagar as dívidas.

Talvez eu ainda veja um país trabalhando no presente mas de olho no futuro, especialmente de seus filhos, com governos que governem para a próxima geração e não para a próxima eleição, mas talvez eu só veja a polarização burra, que faz com que uma hora um tenha razão e poder em outra o outro os tenha, mas que ambos não sabem para onde vão.

Talvez eu não esteja aqui para ver nada disso, mas vou fazer a minha parte para que meus filhos vejam o melhor de tudo isso.

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