Um dia comum

Renato Follador


Cópia de Um homem tanto falou que seu vizinho era ladrão, que o vizinho acabou sendo acusado de um delito e preso. Logo, descobriram que o rapaz era inocente. Ele foi solto, e, após a humilhação, resolveu processar o

Um amigo chegou para mim e disse: “Hoje, foi um daqueles terríveis dias comuns”.

Acho interessante essa visão errada sobre os “dias comuns””

Dias comuns são aqueles feitos de rotinas, sem sobressaltos. Normalmente reconhecidos como tediosos e maçantes.

Quando olhamos sob esse prisma, a nossa vida tende a ser uma chatice só.

Mas, para mim, os “dias comuns” têm outras características.
Nos dias comuns eu não estou doente nem com dor, ninguém que eu amo faleceu ou está gravemente enfermo.

Nos dias comuns não perco o meu emprego, penso no salário certo no fim do mês e a minha vida não está envolvida em nenhum escândalo ou catástrofe.

Nos dias comuns as pessoas que eu amo também me amam e não estão “de mal” comigo.

Nos dias comuns eu não passo fome, nem frio, não sou assaltado, nem sequestrado, nem vejo a morte perto de mim.

Nos dias comuns não há secas nem enxurradas que destroem casas, bairros ou até cidades inteiras.

Nos dias comuns os amigos não me traem e estou em paz.

Pois é, dias comuns, são dias especiais, pelos quais agradeço, e escolho valorizá-los, já que sou privado de todos esses infortúnios.

Há alguns anos, tive que internar meu pai com pneumonia grave, da qual veio a falecer, e os dias deixaram de ser comuns, com as idas constantes ao hospital, vendo-o sofrer sem ter o que fazer, senão esperar.

Lembrei do dia anterior, um “dia comum”, e, desde então, passei a rezar por um próximo dia comum.

 

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