Um País Brincalhão

Renato Follador


Roberto Campos, o avô do atual presidente do Banco Central, reunia sabedoria, humanidade e diplomacia. Um cidadão à frente do seu tempo.

São dele estas frases:

  • “Quando cheguei ao Congresso, queria fazer o bem. Hoje acho que o que dá para fazer é evitar o mal.”
  • “Continuamos a ser a colônia, um país não de cidadãos, mas de súditos, passivamente submetidos às ‘autoridades’ – a grande diferença, no fundo, é que antigamente a ‘autoridade’ era Lisboa. Hoje, é Brasília.”

Somos um país unido no irrelevante, como o carnaval, e desunido no essencial, como a saúde, a educação, a moralidade, o patriotismo, o altruísmo.

A maior pandemia da história, e estamos há dois meses sem Ministro da Saúde, porque os partidos do Centrão não se entendem. Olham pro umbigo ao invés de olhar para o horizonte e os cemitérios.

O Ministério da Educação vai ter seu quarto ministro em um ano e meio, mas só depois de ver quem ganha, se a ala ideológica do gagá insano do Olavo de Carvalho, que comanda o hospício à distância, lá dos Estados Unidos, ou da base aliada, novamente do Centrão- que aliás era oposição ao atual governo.

A Europa aprendeu com as guerras a importância da solidariedade, o Brasil aprendeu no berço esplêndido de um país abençoado por Deus a prevalência dos interesses individuais.

O Rio de Janeiro, um estado sempre brincalhão, escarra na cara da sociedade brasileira aglomerando-se em bares e baladas desafiando a sorte, o bom senso e o respeito ao próximo.

Olha, creio que não viverei para ver este país tornar-se nação.

 

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