Família é família. Negócios à parte!

Artigo de Opinião

Pedro Ribeiro - 15 de junho de 2022, 17:14

Foto/Divulgação
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Petrojan Neves - Gerente Comercial da JValério**

Quantas vezes levamos trabalho para casa e acabamos misturando, a convivência familiar com nossa obrigação empresarial? Muitas, não é mesmo? Pense então quando se é diretor de uma empresa familiar, e precisa combinar patrimônio, relações familiares e negócios. Se não bem administrado, com certeza se torna um prato cheio e bem servido para geração de conflitos.

Segundo a 10ª. Pesquisa Global sobre Empresas Familiares de 2021 da PwC, 24% das empresas brasileiras de controle familiar possuem um plano de sucessão formalizado. E, segundo o SEBRAE, apenas 25% das empresas com origem familiar conseguem ultrapassar a barreira da terceira geração dos fundadores e alcançarem a longevidade.

Por isso sempre reforçamos sobre a importância em se investir em instrumentos de governança, que não apenas formalizam as regras de conduta, acordos societários, mas também possui a transparências nas transações financeiras e planeja todo o processo da passagem do bastão. E é sempre bom lembrar, que o planejamento sucessório deve ser encarado como um divisor de águas, que define o futuro da organização, seja para o bem ou para o mal.

É fato que, as empresas que adotam a governança já no começo da sua vida possuem muito mais chances de sucesso, pois conseguem antever as críticas, como a sucessão familiar. E quando temos um plano de sucessão, conseguimos evitar problemas junto aos membros da família que querem ocupar uma cadeira na empresa fundada pelos seus antepassados ou ainda quando existe um confronto com a atual gestão. E, claro, com o crescimento da empresa há também o crescimento da família e, obviamente, o desejo dos fundadores que os descendentes integrem a empresa. Algumas vezes, eles são surpreendidos pelo interesse dos novos herdeiros das famílias dos sócios, com sede de mudança. É aí que surgem os choques de gerações. Os atritos podem ser prevenidos por um plano sucessório. Uma transição bem-feita potencializa a performance da empresa e quanto mais cedo começar melhor.

Não podemos esquecer que os conflitos fazem parte da natureza de todas as famílias, e consequentemente das famílias empresárias, por isso o processo de sucessão se torna complexo. Existe um vínculo emocional com o negócio e muitos acabam considerando a empresa como um filho. Costumamos dizer que é uma relação pessoal e multifacetada, principalmente quando os descendentes dos sócios começam a chegar no negócio.

A gestão que é realizada pelos sócios e sucessores precisa ser encarada com profissionalismo, da mesma forma de quando a gestão fica a encargo de uma pessoa selecionada no mercado. Na empresa familiar o membro só deve ocupar a cadeira de gestor em razão da sua competência, enquanto está apresentando bons resultados. Caso contrário, a substituição por outro profissional é extremamente viável. E claro, se a gestão não vai bem, demitir um membro da família com certeza afetará as relações familiares.

** Petrojan Neves possui mais de 20 anos de experiência na gerência comercial de grandes empresas. É Bacharel em Administração de Empresas, Tecnólogo em Processos Gerenciais e Pós-graduado em Gestão de Negócios pela Fundação Dom Cabral. Atualmente é Gerente Comercial da JValério Gestão e Desenvolvimento além de atuar ativamente como Presidente do Conselho do Comércio da ACIM – Pr, e do Conselho Noroeste Garantias.